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Cavalo e Paulão: relação profissional estremecida entre treinador e vice-presidente de futebol | Antonio More / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Cavalo e Paulão: relação profissional estremecida entre treinador e vice-presidente de futebol| Foto: Antonio More / Agência de Notícias Gazeta do Povo

O clima, que não estava bom no Paraná Clube, ferveu de vez. Após ser mantido no cargo após reunião da diretoria, bancado pelo presidente Aquilino Romani, o técnico Roberto Cavalo criticou duramente, em entrevista coletiva nesta terça-feira (8) na Vila Capanema, o vice-presidente de futebol do clube, Paulo César Silva, que é contra a permanência do treinador.

"Se você quer contratar outro profissional, primeiro tem que demitir aquele que está aqui, que é o Roberto Cavalo. Eu tomei conhecimento que isso (contato com outro treinador)aconteceu. Fiquei muito surpreso quando disseram que o Paulão estaria me demitindo. Num momento desse não tem que ir na imprensa. Primeiro tem que comunicar o profissional. Fiquei meio surpreso pela maneira que o Paraná Clube está sendo tocado. Eu acho que essas pessoas que falam ser paranistas, como o caso do Paulão, tem que ter um pouco mais de profissionalismo", disse o treinador.

O técnico explicou um pouco do relacionamento com o vice-presidente de futebol do clube. "Foi conversado em uma reunião que o Paulão tem que mudar o jeito de ser, porque se não mudar não vai dar certo. Ou você entra numa parceria com todo mundo falando a mesma língua ou não anda. E é o que está acontecendo. Eu tenho ele como uma pessoa maravilhosa, mas como profissional, no trabalho, não estou gostando nem um pouco do jeito que está acontecendo", explicou.

Cavalo ficou irritado com a chegada do zagueiro Diego Corrêa, colocado para treinar sem a anuência dele, e com uma lista de dispensas feita pelo diretor, que incluía os já anunciados zagueiros Carlinhos e Wellington, os volantes Alan e Serginho, o meia Chimba, o atacante Zé Paulo e o zagueiro Rafael Vaz. "Ontem (segunda-feira), quando cheguei ao clube pra trabalhar, já havia uma lista de dispensas, com jogadores. Expliquei para o Paulo que tinha jogo na quarta e não ia ter jogador pra jogar. Isso vazou e os jogadores estão preocupados, não sabem se continuam. Isso gera intranqüilidade muito grande", afirmou.

Serginho, Chimba e Rafael Vaz foram trazidos de volta pelo treinador, enquanto que Alan, Zé Paulo e Wellington ficaram vendo o treino nas arquibancadas aguardando um diretor para resolver a situação. "Eu vejo que não sou o único culpado. Hoje estamos sem condições de buscar reforços necessários por falta de dinheiro. Agora o clube ter de ver o que é o melhor, se é o Roberto Cavalo ou se é o Paulão. Eu estou bem à vontade, mas não estou nem um pouco satisfeito com a maneira que o Paulão começou a trabalhar este ano depois que assumiu a vice-presidência", disse.

Cavalo ressaltou que todo o extracampo prejudica o psicológico dos jogadores, que ficam envoltos em insegurança. "O meu trabalho vou continuar fazendo da melhor maneira possível. Sei que a cabeça dos atletas está bastante perturbada porque ninguém sabe quem fica. Gerou esse clima que tira a tranquilidade e não dá coragem. Para mandar jogador embora tem de ter organização. Da maneira que ele foi, agora vai querer direitos de um ano de contrato. Tem que ter mais paciência e profissionalismo. Não desaprendi nestes dois anos. Entendo a situação do clube no momento e não é de um dia para o outro que tudo vai se resolver", explicou o treinador, citando a situação do Coritiba como exemplo.

O técnico, negando que a entrevista é um desabafo, mostrou-se preocupado com o futuro do clube. "A dificuldade continua e a preocupação é saber o que vai acontecer daqui pra frente. Se a diretoria, depois desta entrevista com minha transparência e sinceridade, achar que eu tenho de sair, eu saio pro bem do Paraná Clube. Mas quero sair de peito aberto, por cima. Sair com uma história negativa é doído. Eu sou profissional. Ontem, 11h da noite, recebi um convite para dirigir um clube grande do Brasil, mas não saí porque não admito esse tipo de situação. Seria covardia abandonar esses jogadores agora. Eu tenho contrato e quero cumprir", sentenciou.

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