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A comemoração

Choro de Lula simboliza dia de “emoção indescritível” na Dinamarca

Presidente afirmou que ontem talvez tenha sido o dia mais emocionante da sua vida. Euforia toma conta da comitiva carioca

Lula: emoção pelos Jogos no Rio | Denis Balibouse/Reuters
Lula: emoção pelos Jogos no Rio (Foto: Denis Balibouse/Reuters)
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Copenhague - O lenço levado ao rosto diversas ve­­zes durante a entrevista coletiva como cidade vitoriosa, o rosto in­­chado e os olhos muitos vermelhos delataram o que seria colocado em palavras minutos depois. A escolha do Rio para organizar a Olim­píada de 2016 foi, "talvez", o dia mais emocionante da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"E eu, que achava que não ti­­nha mais motivo para emoção, porque já fiz tanta coisa na minha vida, conheci tanta gente, pensei que não ia mais me emocionar", dis­­se Lula. "Mas eu era o mais emocionado e o mais chorão."

O presidente disse que não aguentava olhar para o lado e ver Bárbara Leôncio, 17 anos, campeã mundial juvenil de atletismo, em prantos toda hora. E que chorou na coletiva porque não teve "coragem de chorar durante a apresentação".

Logo Lula começaria a desfilar agradecimentos. Primeiro, pelo "carinho do Jacques Rogge", o presidente do COI. Depois, elogiaria as apresentações do governador Sér­­gio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Na ponta da bancada, Paes não se continha. Antes de assinar o contrato do Rio como sede, erguia a caneta como um troféu ou uma tocha olímpica.

No fim da entrevista, abordado no palco pela reportagem mais uma vez, o presidente respondeu com um tapinha na cabeça.

"Vamos dar um tempo para a emoção hoje (ontem)", afirmou, agarrado à bandeira brasileira, abraçado aos demais membros da delegação, os olhos mais uma vez marejados.

As lágrimas eram a catarse de três anos de campanha concentrados em dois dias de intensa tensão. Lula passou a véspera e o dia do anúncio da sede ansioso entre reuniões, recepções e apresentações por votos.

Antes falando pouco e evitando entrevistas, ontem não se conteve ao chegar da apresentação no Bella Center, o pavilhão onde o Comitê Olímpico Internacional promoveu os eventos de escolha da sede. Animado e visivelmente tenso – na entrevista coletiva, ele diria que estava "quase chorando de nervoso" – disse, primeiro, que esperaria o resultado. Em seguida, já com a fala acelerada, animou-se com a ideia de assistir ao anúncio com os jornalistas, em vez de ficar no ho­­tel, como planejara.

Elogiou o filme da apresentação. Abraçou dois jornalistas. Tudo em um intervalo de minutos. Mas o presidente assistiria ao anúncio no auditório do Bella Center, e a mídia teria de se contentar em vê-lo pelo telão. Quando o envelope aberto por Rogge mostrou o nome do Rio de Janeiro, foi uma explosão do lado brasileiro da plateia. Do lado de fora do auditório, a gritaria foi semelhante.

As mulheres dos membros da delegação subiam em cadeiras. Jor­­nalistas invadiam a área interditada. Um dos presentes disse à reportagem que a situação era "indescritível" e de "muita, muita emoção" entre os ministros, políticos, diplomatas, assessores. "É só choro."

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