
Tinha tudo para ser a maior glória dos 10 anos de vida do Cianorte. Jogando no Estádio Albino Turbay, com o apoio maciço de seu torcedor, até mesmo uma derrota por 1 a 0 para o Mogi Mirim servia para classificar os paranaenses para a sonhada Série C.
Ao término da partida, entretanto, o que restou foi uma frustração também sem igual na curta história do Leão do Vale do Ivaí. Graças ao duplo fracasso, por 2 a 1 no tempo regulamentar placar idêntico ao do compromisso de ida e por 4 a 2 nos pênaltis.
"Vai ser uma das piores noites da minha vida", afirmou o atacante Henrique, representando o sentimento dos atletas e dos cerca de 1.700 torcedores que deixavam a praça esportiva, em um silêncio perfeito, sem nem protestar.
O goleador foi um dos poucos a se manifestar após o insucesso inesperado. Outro que aceitou ir aos microfones, o diretor de futebol Adir Kirst, parecia desnorteado. "Sinceramente, não há o que falar. Faltam as ideias", disse.
Enquanto a dupla procurava explicações, o presidente do Cianorte, o empresário Marco Antonio Franzato, chorava abraçado ao filho, prostrado no chão atrás das arquibancadas.
Toda essa tristeza é justificável. Caso tivesse obtido o acesso, o Tricolor alcançaria um patamar inédito. Garantiria, no mínimo, dois anos de calendário anual completo Paranaense e Nacional. Um privilégio no sucateado futebol do interior do Paraná.
A reboque, o clube gozaria ainda de uma série de benefícios. Contaria com um incremento considerável nas receitas de publicidade e patrocínio. Poderia firmar contratos duradouros com os jogadores.
E, quem sabe, veria crescer o apoio dos apaixonados pelo esporte da cidade de aproximadamente 70 mil habitantes, boa parte deles mais interessados em Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. A lotação de ontem foi uma exceção ao longo da disputa a média de público atingiu 500 pessoas, apesar da boa campanha.
Tudo isso foi pelo ralo em uma tarde de sol e céu azul na capital do vestuário do Brasil. Resta então, recomeçar. "Amanhã [hoje], vou pensar no que vamos fazer", declarou Kirst, descartando uma paralisação do futebol do Leão, especulada nas rádios locais.
Provavelmente, o dirigente terá de retomar o projeto que vislumbrava para 2015 uma chegada a Série B buscando um treinador. Na saída do Albino Turbay, o técnico Paulo Turra não conseguia evitar o tom de despedida.
"Não estou dizendo que vou embora. Mas um resultado como esse muda muita coisa. Vamos ter que sentar e repensar", revelou o gaúcho, antes de proferir outra frase que ninguém imaginava ouvir. "Foi minha pior derrota na carreira. Mas o que eu vou fazer? Pular de uma ponte?".
Cianorte 1 x 2 Mogi Mirim



