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Clássico confronta experiência de Baier com juventude de Kelvin

Atleticano e paranista se distanciam pela aparência, idade e estilo. Mas jogam com a 10 e carregam a pressão de decidir duelo de domingo

Aos 36 anos, Paulo Baier é o 10 do Rubro-Negro. Kelvin, de 17 anos, demorou bem menos do que o rival para vestir a 10 | Albari Rosa e Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Aos 36 anos, Paulo Baier é o 10 do Rubro-Negro. Kelvin, de 17 anos, demorou bem menos do que o rival para vestir a 10 (Foto: Albari Rosa e Hugo Harada/ Gazeta do Povo)

O estilo moicano de um lado pouco lembra os poucos cabelos que já acusam a experiência do outro. A diferença de idade entre os dois é de quase 20 anos. No entanto, a camisa 10 é a mesma e reflete o papel que eles têm em seus times.

Paulo Baier, no Atlético, e Kel­­vin, no Paraná, são protagonistas nas equipes do clássico de domingo, na Vila Capanema.Em meio ao momento conturbado dos dois ti­­mes – o Fu­­racão longe do título e o Tricolor lu­­tando para não cair – a pressão maior da torcida acaba sobre os ombros dos dois jogadores.

Com 36 anos, Baier está mais acostumado à situação. Afinal, quando Kelvin nasceu, em 1993, o atleticano já estava nos juniores no São Luiz de Ijuí (RS). "Faz tempo (risos). Eu, que vim de família de agricultores, estava trabalhando e tive a oportunidade de fazer um teste no São Luiz. Este foi o meu primeiro ano de juniores", lembrou.

O caçula do Paraná, de 17 anos, está aprendendo a lidar com o novo papel. Kelvin admite que a pressão aumentou desde que estreou com status de futuro craque na Série B de 2010, mas evita justificativas para fugir da responsabilidade. "Isso [a pouca idade] não pode ser desculpa. Tenho de entrar em campo e jogar sempre de igual para igual com os adversários, independente da idade que tenham", afirmou.

Apesar das críticas ao jovem paranista após as recentes atuações discretas, o técnico Ricardo Pinto continua confiante no jogador. "Tenho certeza absoluta que ele tem condição de superar o mo­­mento de dificuldade", ameniza o treinador. "Acredito muito nele e todas as vezes que tiver saúde para atuar, o Kelvin vai jogar", emenda.

A confiança do maestro Paulo Baier no Atlético também parece inabalável. O próprio Ge­­ninho reconhece o valor do adversário, mas aposta mais no seu co­­mandante em campo. "Reco­­nheço no Kelvin um jogador que pode ter um futuro muito grande. Os dois têm características completamente diferentes. O Baier é mais de armação, de toque, o Kelvin é mais rápido, dribla mais e é mais incisivo. Os dois são grandes jogadores, mas claro que eu torço pelo Baier ".

Para o jovem, o clássico representa uma das últimas chances de ajudar sua equipe no Paranaense. Depois do duelo, o jogador se apresenta à seleção sub-19 que disputa um torneio na Espanha e deve retornar ao clube somente para a última rodada do Estadual.

Já Paulo Baier sabe bem a im­­por­­tância da sua experiência em mais um confronto. "A rapaziada tem uma confiança muito grande em mim. Acho que a minha presença em campo passa isto. Há também a tranquilidade nos mo­­mentos difíceis para manter a posse de bola e em um lance individual criar ou definir uma jogada e de­­cidir em uma bola parada. Isso ajuda bastante", opinou o maestro.

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