
O estilo moicano de um lado pouco lembra os poucos cabelos que já acusam a experiência do outro. A diferença de idade entre os dois é de quase 20 anos. No entanto, a camisa 10 é a mesma e reflete o papel que eles têm em seus times.
Paulo Baier, no Atlético, e Kelvin, no Paraná, são protagonistas nas equipes do clássico de domingo, na Vila Capanema.Em meio ao momento conturbado dos dois times o Furacão longe do título e o Tricolor lutando para não cair a pressão maior da torcida acaba sobre os ombros dos dois jogadores.
Com 36 anos, Baier está mais acostumado à situação. Afinal, quando Kelvin nasceu, em 1993, o atleticano já estava nos juniores no São Luiz de Ijuí (RS). "Faz tempo (risos). Eu, que vim de família de agricultores, estava trabalhando e tive a oportunidade de fazer um teste no São Luiz. Este foi o meu primeiro ano de juniores", lembrou.
O caçula do Paraná, de 17 anos, está aprendendo a lidar com o novo papel. Kelvin admite que a pressão aumentou desde que estreou com status de futuro craque na Série B de 2010, mas evita justificativas para fugir da responsabilidade. "Isso [a pouca idade] não pode ser desculpa. Tenho de entrar em campo e jogar sempre de igual para igual com os adversários, independente da idade que tenham", afirmou.
Apesar das críticas ao jovem paranista após as recentes atuações discretas, o técnico Ricardo Pinto continua confiante no jogador. "Tenho certeza absoluta que ele tem condição de superar o momento de dificuldade", ameniza o treinador. "Acredito muito nele e todas as vezes que tiver saúde para atuar, o Kelvin vai jogar", emenda.
A confiança do maestro Paulo Baier no Atlético também parece inabalável. O próprio Geninho reconhece o valor do adversário, mas aposta mais no seu comandante em campo. "Reconheço no Kelvin um jogador que pode ter um futuro muito grande. Os dois têm características completamente diferentes. O Baier é mais de armação, de toque, o Kelvin é mais rápido, dribla mais e é mais incisivo. Os dois são grandes jogadores, mas claro que eu torço pelo Baier ".
Para o jovem, o clássico representa uma das últimas chances de ajudar sua equipe no Paranaense. Depois do duelo, o jogador se apresenta à seleção sub-19 que disputa um torneio na Espanha e deve retornar ao clube somente para a última rodada do Estadual.
Já Paulo Baier sabe bem a importância da sua experiência em mais um confronto. "A rapaziada tem uma confiança muito grande em mim. Acho que a minha presença em campo passa isto. Há também a tranquilidade nos momentos difíceis para manter a posse de bola e em um lance individual criar ou definir uma jogada e decidir em uma bola parada. Isso ajuda bastante", opinou o maestro.



