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Clima tenso antecede protesto recorde em BH

Capital mineira prevê enorme mobilização e alto risco de violência para o jogo do Brasil na próxima quarta-feira

Fred, autor de dois gols no sábado, durante a chegada da delegação ontem à noite em Belo Horizonte | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Fred, autor de dois gols no sábado, durante a chegada da delegação ontem à noite em Belo Horizonte (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

A passagem da seleção brasileira por Belo Horizonte ameaça deflagrar o mais intenso protesto já realizado na capital mineira. Tanto manifestantes como policiais militares preveem grande mobilização com risco iminente de violência na quarta-feira, quando o Brasil en­­tra em campo contra o Uruguai, pela semifinal da Copa das Confederações.

"Está muito tenso", disse ontem à Gazeta do Povo o tenente-coronel Alberto Luiz, chefe da Comunicação da Polícia Militar de Minas Gerais, sobre o clima na cidade. "É bem provável [que ocorra a maior mobilização]. O foco deles é prejudicar os jogos, mais ainda o jogo principal da seleção. Querem atingir o coração da nação", afirmou.

O tenente-coronel reforçou um alerta aos manifestantes que acusaram a polícia de ter usado armas letais e gás lacrimogênio vencido no grave confronto ocorrido na cidade no último sábado, quando México e Japão duelaram na cidade.

O protesto começou pacífico com 60 mil integrantes e terminou com cerca de 20 pessoas feridas – quatro em estado grave, sendo que um deles caiu do viaduto José Alencar, na Pampulha. Foram presas 32 pessoas e houve vandalismo, saques e depredação.

"A recomendação é evitar ir à manifestação. Pois no­­vas balas de borracha, no­­vas bombas e outras coisas mais serão destinadas a quem desafiar a polícia", avisou o PM. A cidade havia registrado protestos também no jogo inaugural, entre Ni­­gé­­ria e Taiti.

Com a presença da seleção na capital mineira e também da confirmada vinda do presidente da Fifa, Joseph Blat­­ter, para a semifinal, a operação de segurança será revista. Há a possibilidade de se ampliar a chamada Área Fifa, que abrange um perímetro de 2 quilômetros no entorno do estádio. Todo o esquema será anunciado amanhã. No duelo entre México e Japão, no sábado, foram 3.500 policiais, com o reforço de agentes do exército e da guarda nacional. Durante o embate entre a polícia e manifestantes, usou-se pela primeira vez no estado um veículo blindado, que pode voltar às ruas na quarta.

Tamanha preocupação faz sentido. Segundo os próprios manifestantes, a rejeição da cidade aos gastos públicos com o Mundial de 2014 é muito grande. "Em nenhuma outra capital há manifestações tão intensas em relação à Copa e à Fifa. Esse é o grande diferencial de Belo Ho­­rizonte", analisou Luca Palmesi, do PSOL.

Manifestantes contaram que, no sábado, os ônibus com a logomarca da Fifa eram intensamente vaiados. "Por tudo isso se espera a maior de todas as mobilizações na quarta", reforçou a professora e estudante Yasmim França Merelim, durante assembleia organizada pelos manifestantes na tarde de ontem sob o Viaduto Santa Tereza, no centro de BH.

Chegada

A seleção brasileira chegou ontem à noite a Belo Horizonte sob um forte esquema de segurança. Cerca de 100 pessoas aguardavam a delegação na porta do hotel, com destaque para as Neymarzetes. Mas, assim como havia acontecido em Salvador, a equipe frustrou os torcedores. O ônibus entrou pelo setor de serviço do hotel e houve correria dos fãs. Se deu bem quem estava em um viaduto próximo e conseguiu ver os jogadores. Apenas Bernard, que joga no Atlético-MG e entrou no segundo tempo contra para a Itália, o goleiro reserva Jefferson e o zagueiro Thiago Silva acenaram para os torcedores.

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