
Se o Estádio do Pinhão, em São José dos Pinhais, tivesse placar eletrônico, ele mostraria no jogo São José e Portuguesa Londrinense, disputado há uma semana, a tristeza da Divisão de Acesso: três pagantes e renda de R$ 15.
A Segunda Divisão do Campeonato Paranaense deste ano é um dos campeonatos mais deficitários do país. A média de público em 2010, somando-se toda a primeira fase e os jogos disputados até a terceira rodada da segunda, é de 660 pagantes por jogo.
O time que ostenta a melhor participação de torcedores é o Arapongas que já levou ao Estádio José Chiapin 1.717 pessoas por rodada (em sete partidas).
De acordo com Ernesto Silveira, gerente administrativo do clube, a situação está boa. "Dentro da realidade do futebol do Paraná, fazendo uma comparação com outros clubes do estado, o público do Arapongas é bom. A nossa imagem não está ruim como em Cascavel, Londrina e Maringá, que têm times tradicionais. A cidade gosta de futebol e, além do mais, não temos outras formas de entretenimento aqui", disse.
Silveira ainda contou que, entre folha de pagamento e despesas, o clube gasta em torno de R$ 100 mil mensais e que são feitas ações de marketing para atrair fãs. "Usamos carros de som nas ruas, aos sábados distribuímos panfletos no comércio, fazemos promoção para as vendas antecipadas de ingresso. Contamos com o apoio do jornal local, levamos o treinador e os jogadores para dar entrevistas nas rádios da cidade", relata.
Outra modalidade de ajuda também marca a subsistência do futebol no segundo escalão: a ajuda de políticos. Com assistencialismo, eles compram um determinado número de ingressos e ajudam na intermediação da venda para algumas empresas.
Situação parecida vive o Foz do Iguaçu, time de melhor campanha na Divisão de Acesso, com oito pontos, e que levou 1.400 pessoas em sua maior bilheteria no Estádio do ABC.
Segundo Arif Osman, presidente da agremiação, a participação de público do campeonato "é ridícula" e, com as rendas obtidas, o time consegue pagar apenas a arbitragem e as taxas da Federação.
"Em muitos jogos nós tiramos do próprio bolso para pagar o bicho dos jogadores. Não sobra um real no caixa pra ajudar nos salários, que são pagos com a ajuda dos patrocinadores", disse. Osman ainda contou que o maior patrocinador do Foz pagou sua última cota em julho e que vai ser difícil quitar as folhas de pagamento dos próximos dois meses somente com as rendas dos jogos e os patrocínios menores.
Ele tem opinião parecida com a de Sérgio Kowalski, presidente do Roma, equipe dona de uma média de R$ 3.598,55 de renda por partida, de que a Copa do Mundo contribuiu na baixa procura pelos jogos. "Tivemos uma coincidência de datas e alguns jogos da Copa foram disputados no mesmo horário das partidas do Roma", disse Kowalski.
Em agosto, a Federação Paranaense de Futebol começa a organizar a Terceira Divisão.
Mais futebol, mais prejuízo.




