Homenagens emocionantes, nos estádios de Medellín e Chapecó, às vítimas da tragédia aérea que tirou, brutalmente, a vida de 71 pessoas; manifestação de solidariedade em vários países através das autoridades e, sobretudo, dos futebolistas chocados com o acidente; intenção de apoiar a reconstrução da Chapecoense com os clubes da Série A oferecendo o empréstimo de jogadores e propondo que o time seja liberado de sofrer rebaixamento técnico na próxima temporada; cultos ecumênicos e a expectativa da chegada ao nosso país dos restos mortais das vítimas.

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Este é o panorama dos dias subsequentes ao maior desastre envolvendo uma delegação de futebol. Entretanto, em meio à comoção generalizada, surgem informações que aumentam o grau de pesar e, de certa forma, o grau de indignação.

A aeronáutica colombiana teria constatado pane seca na aeronave que conduzia a equipe brasileira para a primeira partida final da Copa Sul-Americana. A falta de combustível teria feito os motores pararem, gerando pane elétrica e, consequentemente, a queda do avião.

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A empresa boliviana LaMia seria especializada em oferecer o transporte para voos de curta duração, tendo mostrado os seus serviços logísticos inclusive ao Coritiba, quando foi jogar com o mesmo Atlético Nacional, em Medellín.

A diretoria do Coritiba teria recusado a proposta alternativa optando por voar com as empresas tradicionais que operam na rota internacional.

É perturbadora a notícia de que o piloto do avião boliviano – Miguel Quiroga – teria corrido o risco de voar de Santa Cruz de La Sierra a Medellín, sem escala, apesar da limitação na reserva de combustível.

Dando voltas por questões ligadas ao tráfego aéreo no aeroporto de Medellín, mesmo gastando as preciosas últimas gotas de combustível, o comandante demorou a relatar a gravidade da situação à torre de controle.

Tudo está contido na gravação do diálogo entre o piloto e a controladora colombiana apresentado por emissoras de rádio e televisão. Segundo o depoimento de pilotos experientes e especialistas no setor, voar naquelas condições seria um erro capital, praticamente uma irresponsabilidade que lhe custaria a cassação da autorização para pilotar, a retenção do aparelho, a abertura de inquérito para a investigação das causas e demais consequências legais.

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A grave irregularidade cometida teria resultado na queda do avião com a morte do piloto e de mais 70 inocentes que entraram em pânico antes do choque com a montanha na floresta colombiana.

Tragédia e culpa.

Restou a lembrança dos amigos que partiram, as belas imagens gravadas no campo, no vestiário ou dentro da aeronave.