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Carneiro Neto

É impossível segurar

Desde que a economia brasileira deixou de crescer conforme as necessidades da população cada vez maior, tornou-se difícil segurar os melhores jogadores. Europeus e japoneses caíram de pau em cima dos principais clubes, levando a elite do futebol pentacampeão.

Com a paralisia do país e a expectativa em torno da situação econômica – segurar o dólar não é indicado para tornar uma economia de mercado verdadeiramente forte –, com os transes da crise ética, moral e política causados pelos escândalos que abalaram o governo e o excessivo aumento do gasto para o funcionamento da inchada máquina estatal, de difícil tornou-se impossível segurar os jogadores.

Agora, não são mais os melhores que vão embora. Todos aqueles que se apresentam com mínimas condições de dar certo nos grandes centros internacionais ou no emergente Leste Europeu estão partindo.

Mais grave ainda porque até mesmo garotos, de 12 a 16 anos, que nem sequer chegaram a jogar em nossos clubes, começam a arrumar as malas e seguir em busca do ouro no exterior.

Na costumeira busca aos culpados, apontam-se dois vilões: os agentes dos jogadores e o fim do passe. Mas não é bem assim. É um pouco mais complexo do que se imagina, pois passa, inevitavelmente, pela ausência de políticas públicas definidas. Ou seja, não adianta o discurso vazio dos políticos eternamente em campanha de reeleição se todo mundo está vendo o show de bola econômico que o Brasil vai levando da China, da Índia, do México ou do Chile para ficar só com esses.

No que concerne ao âmbito esportivo, para começar não há como enfrentar as moedas mais fortes diante de um real inflado artificialmente e sem presença consagrada no mercado mundial. Com isso os clubes simplesmente se mostram impotentes diante das ofertas que recebem diariamente.

E os jogadores querem sair para ganhar mais e garantir o futuro da família. A carreira é curta, o mercado interno é incerto e muitos clubes brasileiros fingem que pagam os salários e as gratificações em dia. Lá fora é tudo direitinho, preto no branco e o mês só tem 30 dias.

Os maus conselheiros vendem o sonho do pote de ouro no fim do arco-íris, mas os agentes responsáveis aconselham os atletas contra os maus negócios e alertam para as desvantagens de certas transferências.

Que a Lei Pelé tem as suas deficiências, é inquestionável. Entretanto, mesmo antes dela, na época do passe, os clubes ganhavam muito dinheiro em cada transferência e sempre estiveram à beira da insolvência.

Ou os milhões não entraram integralmente em seus cofres ou foram mal administrados. De qualquer forma, não se pode culpar apenas a Lei Pelé pela situação difícil de muitos clubes.

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