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Uma das coisas mais idiotas criada pelos costumes é a comparação entre as pessoas. Desde o absurdo representado pela avaliação dos prós e contras entre irmãos ou bizarrices semelhantes, passando pelos concursos de misses até chegar ao show business, onde cada palavra, cada passo e cada atitude é medida, multiplicada ou elevada ao cubo.

No futebol, então, a coisa mais comum é ouvir algum repórter ou comentarista tentar igualar ou diferenciar um jogador do outro. Pura perda de tempo, pois nem um ser humano é igual ao outro e a impressão digital de cada pessoa liquida qualquer tentativa de identidade comum.

O jogador deve ser analisado dentro da época em que joga, dos padrões da equipe que defende, da esquematização tática do período e, sobretudo, exclusivamente de acordo com as suas características. Não dá para comparar, por exemplo, Pelé com Garrincha, mesmo ambos tendo sido jogadores extraordinários, mas cada um dentro do seu contexto e com as suas peculiaridades psicológicas, atléticas e técnicas; do mesmo jeito que não dá colocar no mesmo patamar Di Stéfano e Puskas, pois foram craques fora de série, porém completamente diferentes; ou Cruyff com Van Basten, Platini com Zidane, Maradona com Messi, Romário com Ronaldo, Didi com Gerson e por aí afora.

Como o mundo futebolístico anda pasmo com o fantástico repertório de Messi, disparado o melhor jogador do momento e com lugar assegurado no panteão dos maiores de todos os tempos, tem sido corriqueiro a tentativa de compará-lo com Neymar, o principal jogador brasileiro da atualidade.

Ver Messi jogar tem sido um prazer tanto quanto ver Neymar em ação. Entretanto, são homens completamente diferentes e, consequentemente, craques com características técnicas marcantes, porém com larga vantagem no momento para o fenômeno do Barcelona.

É ótimo termos um jogador como Messi em atividade e não só pela satisfação de contemplar o futebol de um craque excepcional. Melhor ainda para que a juventude internacional e a juventude brasileira em particular possam ver como é possível jogar num grau muito mais elevado do que este a que estamos habituados nos últimos anos.

E também para que ela, a juventude, compreenda que não há exagero quando lhe contam coisas geniais dos extraordinários jogadores que encantaram no passado.

Neymar precisa amadurecer como ídolo e disputar campeonatos de melhor nível técnico, fato que, lamentavelmente, não tem acontecido no Brasil ultimamente. Messi surgiu na atual meca do futebol e se constitui em craque com perfeita visão de jogo, sintetizando todas as teorias do ponto futuro, jogar sem bola, jogar no vazio e tudo o mais com impressionante simplicidade e capacidade milimétrica para a execução das jogadas e a marcação dos gols.

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