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André Pugliesi

Voltar à realidade

Na semana anterior ao início do Brasileiro, Alfredo Ibiapina mandou: "O Atlético tem a intenção de buscar uma vaga na Libertadores e até o título". Apenas uma partidinha depois – o 3 a 0 para o Galo em que todo o elenco rubro-negro esteve à disposição – foi a vez de Adilson Batista soltar: "Se tivesse entrado com Madson, Branquinho e Paulo Baier, o prejuízo seria muito maior. Se tivesse dois atacantes e dois meias, tomava seis [gols]".

Qual dos dois está mais próximo da realidade? Nenhum deles. E está justamente aí o enrosco do Furacão. Ninguém na Baixada parece entender qual é a do clube para o Nacional.

Do diretor de futebol é mole falar. Aliás, dá até para desculpar a pérola. Novato no cargo, recém-alçado da bancada da Arena, certamente deixou-se levar pela empolgação ao pronunciar o que jamais deve ser dito – nem mesmo quando se tem um esquadrão, o que não é o caso. Humildade, malandragem e concentração nos bastidores resolvem o problema.

Acho muito mais grave a fala do Pezão. Revela tamanho desprezo pela capacidade do elenco atleticano – montado, em parte, por ele – que eu acredito ser mais prudente o clube licenciar-se da disputa. Ou, em caso de insistência, e de acordo com a avaliação do treinador, o maior vexame dos 86 anos de história do Rubro-Negro está por vir.

Sim, porque não há justificativa para revelar um temor de ser massacrado pelo Galo – uma equipe vice-campeã de um estadual que só tem dois postulantes ao título e sem qualquer brilho técnico – logo na primeira rodada da competição, quando todos ainda estão patinando.

O mesmo vale para a opção de escalar quatro volantes, criando o patético esquema "Guerrón contra a rapa", e mostrar-se completamente frágil defensivamente. Com menos de cinco minutos de bola rolando o Furacão já perdia para o xará mineiro. E depois a coisa só piorou.

Não tenho a experiência do gramado que o treinador tanto gosta de exaltar, mas garanto que, utilizando uma arrumação convencional, o desempenho rubro-negro em Sete Lagoas não teria sido tão ruim. Se o revés viesse, o torcedor teria, pelo menos, o conforto de ter jogado de igual para igual.

E se Madson e Branquinho não servem para Adílson, tenho certeza de que a maioria dos clubes da Série A gostaria de contar com eles. Sempre que a dupla teve oportunidade atuou no nível dos demais. Mais uma vez, não dá para entender. Só posso crer tratar-se apenas de um momento infeliz.

O Atlético tem todas as condições para realizar um Brasileiro decente – quem sabe, até frequentar posições mais interessantes do que as do meio da tabela. Tem estrutura invejável, e isso vale (mas não muito). Pode contar com o apoio de sua torcida, acostumada a lotar a Arena. Possui dinheiro para reforços, bastando critério para trazê-los. E, principalmente, dispõe de um número razoável de jogadores de nível médio para bom.

Mas, para tanto, vai ter de colocar a cabeça no lugar.

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