Os últimos dias do ano de 2011 ainda reservam emo­­ções ao trio de ferro. Dentro de campo, infelizmente, a Atlético e Paraná resta a luta contra o rebaixamento. Mas, fora do gramado, os três passarão por eleições, com possibilidades de muita encrenca e "roupa suja" la­­vada em público.

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Iniciemos pelo Tricolor, que elege novo presidente amanhã. Mais do que avaliar os nomes dos candidatos Rubens Bohlen (situação) e Ivan Ravedutti (oposição), necessário e importante se faz uma reflexão sobre a situação atual do clube e as ações imprescindíveis que urgem serem tomadas.

Para um clube que "já nasceu gigante", o achatamento atual preocupa. Da organizada e ven­­ce­­dora agremiação do início da dé­­cada de 90 pouco restou. Do ti­­me, en­­tão, nem se fala. De­­pen­­dente que é dos in­­vestidores ex­­ternos, o Paraná virou clube de aluguel. A cada disputa (não mais a cada ano) monta-se um novo grupo de atletas e nova co­­missão técnica. A quem isso in­­teressa? Aos investidores, que colocam seus "estoques" para tra­­balhar. Em caso de sucesso, muito lucro. Em caso de fracasso, seus contratados trabalharam (pagos pelo clube). E se­­gui­­rão em busca de novos ares. E o ônus? Fica inteirinho para o clube.

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Que o Tricolor retome as ré­­deas de sua existência e se coloque no comando do seu destino. Não nego a importância e a necessidade dos investidores, mas eles têm de se enquadrar nos objetivos do clube, não o contrário. Vender a "alma ao diabo" já mostrou ser política equivocada.

O Paraná é – e sempre foi – um clube revelador, voltado para a produção de ídolos em sua base. Hoje, categoria profissional e departamento de formação (comandado pela empresa Base), pouco se relacionam. Pouco ou quase nada. E a razão beira ao absurdo: a diretoria atual não gosta do empresário que trabalha na Base, e por isso fecha as portas da equipe profissional para os atletas que, de fato, pertencem apenas 50% ao clube.

E existem jogadores na base que poderiam estar no profissional do Paraná? Conheço bem as equipes menores e respondo: Sim! No mínimo um zagueiro, um volante, um meia e um atacante (não os nominarei por falta de espaço) poderiam – e deveriam –já estar trabalhando na Vila Capanema. Ao punir o empresário (e não entro no mérito do caso), atira-se também contra o próprio pé.

Que o Tricolor volte seus olhos para o futuro e recoloque o Paraná nas mãos de pessoas do clube; e volte seus olhos para o passado, ao enxergar a força que a "juventude" da base paranista sempre representou: dentro de campo, resultados; fora do campo, retorno financeiro.

Difícil, mas não impossível. Há pouco mais de 15 anos, o Pa­­ra­­ná era o único representante paranaense na Primeira Divisão e via seus grandes rivais afundados em dívidas e crises. Prova que tudo pode mudar.

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