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Política

Com reformas vazias, Blatter abafa crise

Candidato único, suíço se garante por mais quatro anos na presidência da Fifa prometendo conter o que chama de “ira popular”

Joseph Blatter e o protesto isolado da fã de futebol: o mundo cobra mais transparência da Fifa | Christian Hartmann/ Reuters
Joseph Blatter e o protesto isolado da fã de futebol: o mundo cobra mais transparência da Fifa (Foto: Christian Hartmann/ Reuters)

Impunidade, reformas vazias e escândalos abafados. Foi assim que a Fifa "resolveu" a sua pior crise nos últimos anos. Ontem, depois de fechar acordos políticos com dezenas de federações, o suíço Joseph Blatter conseguiu o seu quarto mandato à frente da organização e ficará no cargo até 2015. Prometeu mudanças, mas garantiu que não haverá intervenção externa e muito menos a investigação do passado. A ordem dentro da organização era uma só: dar uma imagem de reforma, enquanto o poder ficava nas mãos do mesmo grupo.

Blatter foi o único candidato a se apresentar à eleição, de­­pois que conseguiu que o Co­­mi­­tê de Ética da Fifa escolhido por ele mesmo suspendesse Moha­­med Bin Hammam, do Catar, sob a alegação de pagamento de propinas. "Eu iria ganhar e Blatter sabia disso", declarou o dirigente asiático ontem.

O suíço, que está na Fifa desde a década de 70 e foi por anos o braço direito de João Ha­­ve­­lange, conseguiu neutralizar o pedido de adiamento da eleição, apresentado pela In­­glaterra, que passou a ser tratada como traidora. No final, ob­­teve 186 dos 206 votos possíveis.

Para acalmar o que Blatter chamou de "ira popular", ele anunciou reformas. A primeira se refere à escolha das sedes dos Mundiais. Os 24 cartolas do Comitê Executivo são acusados de te­­rem vendido seus votos para dar ao Catar a Copa do Mundo de 2022. Os escândalos fizeram os maiores patrocinadores e políticos de peso exigirem reformas.

A solução, para Blatter, foi voltar ao modelo de 1966, dando o poder de escolher as sedes para todas as 208 federações nacionais. A meta é a de diluir a in­­fluência de cada um dos cartolas e, assim, reduzir a tentação de pagar por votos. Blatter jamais admitiu o pagamento de propinas. Mas sua reforma desta quarta é uma demonstração de que de fato ocorreram.

A segunda medida é a criação de um Comitê de Ética independente. Mas sem agentes externos. Os juízes serão eleitos pelas 208 federações e, portanto, nada será feito com intervenção externa. "Temos de resolver nossos problemas dentro de nossa casa mesmo", disse Blat­­ter. "Esqueça tolerância zero. O importante é unidade e respeito", declarou.

A terceira medida é ainda mais iníqua: a criação de um Comitê de Soluções, com o norte-americano Henry Kissinger, acusado por ONGs de crimes de guerra no Vietnã e de ter apoiado ditaduras na América Latina. Blatter nem sequer soube responder o que faria esse grupo. Há um mês, anunciou que seu plano era criar um comitê com pessoas externas à Fifa. Ontem, mudou de opinião.

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