
O goleiro Rodolfo, o volante Vinícius e os meias Elvis e Bruninho. Os quatro jogadores nem estavam no meio da confusão que tomou conta da Vila Capanema ontem, mas, ao que tudo indica, acabarão como uma solução para evitar o que pode se tornar um dos maiores vexames da história do Paraná.
Ontem pela manhã, os jogadores do Tricolor entraram em greve pelo atraso no pagamento de um salário e dois direitos de imagem dívida que giraria em torno de R$ 1 milhão. Posição revista à tarde, quando toparam voltar aos treinamentos.
Com uma condição. Querem ouvir hoje uma resposta definitiva para o problema da grana. Do contrário, ameaçam não entrar em campo diante do Fortaleza, na sexta-feira, pela última rodada da Série B.
"Não tem mais condição. Já ouvimos muita promessa, e não queremos que o campeonato acabe com essa incerteza. Todo mundo tem família, o fim do ano está chegando e precisamos do dinheiro que temos direito", comentou um dos atletas, que preferiu não se identificar.
É para evitar o que seria, certamente, uma das passagens mais tristes dos quase 20 anos do Paraná, que a garotada entra na história. Com os cofres vazios, e sem a perspectiva de negociar imediatamente algum de seus jogadores, o Tricolor não enxergou outra alternativa se não apelar.
Deve quitar as pendências com os "adultos" com o dinheiro da negociação de parte dos direitos de suas revelações a outra parte pertence à Base, parceira do clube na formação de atletas. "Nós temos essa grana prevista para entrar até a sexta-feira, de venda de parte dos atletas da base. Assim conseguiremos colocar as contas em ordem. É uma parte pequena e os jogadores vão permanecer conosco", disse Aquilino Romani, presidente eleito do clube (a posse será dia 2/12).
O porcentual exato e os compradores não foram revelados. "O Renato Trombini que está vendo isso", completou Romani, citando o responsável por atrair investimentos para a Vila. Um novo fundo de investimento criado para ajudar o Tricolor, a empresa Zetex Sports e o empresário Mauro Morishita surgem como possíveis candidatos.
De certo, apenas que a atual diretoria praticamente "lavou as mãos" em meio a tudo isso. Convocado para apagar o incêndio no Durival Britto ontem, o atual presidente do Paraná, Aurival Correia, não apontou nenhuma saída.
O dirigente reuniu-se com os atletas por cerca de meia hora, ao lado do diretor de futebol Paulo Welter e do gerente Beto Amorim, e deixou o vestiário afirmando que eles estavam liberados do treinamento, como ocorreu pela manhã, se assim decidissem.
"Achamos normal a pressão, tentamos convencê-los a dar um voto de confiança ao presidente que está saindo do clube, mas eles não concordaram. Estão no seu direito, nós ficamos tristes, eles mais ainda. Vamos trazer o presidente eleito Aquilino Romani para que ele assuma perante o grupo a responsabilidade de fazer um acerto", disse Correia.
Ontem à noite, em entrevista à Gazeta do Povo, Romani descartou essa ida à Vila Capanema. Disse ter compromissos inadiáveis na empresa que administra.
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