
Por algumas horas, o Coritiba correu sério risco de enfrentar o Fluminense longe do Couto Pereira. Pela fumaça verde do Green Hell, que fez a partida contra o Atlético-MG (14/11) ser paralisada por um minuto e meio na volta do intervalo, o Alviverde foi denunciado no STJD no artigo 213, que prevê multa e perda do mando de campo de uma a dez partidas, no começo da tarde de ontem.
O processo chegou a ser enviado ao presidente em exercício do tribunal, Virgílio da Costa Val, que estava pronto para repassá-lo a um relator. A data do julgamento estava marcada: sexta-feira. Mas na última hora a procuradoria do órgão fez uma retificação e excluiu o Coxa da denúncia.
Tudo foi feito às pressas, por telefone, e resolvido pelo procurador-geral Paulo Schmitt. A acusação se baseava no relato do árbitro Paulo César Oliveira na súmula da partida contra o Galo. Schmitt ficou sabendo pelo telefonema da Gazeta do Povo, confirmou o fato, mas achou exagerado demais para ser levado adiante.
"Foi um fato atípico. Não houve nenhum caso de denúncia por fumaça este ano. Para o ano que vem até podemos repensar isso. Mas agora retificamos a denúncia e excluímos o Coritiba dela", afirmou.
Ele atendia a ligações simultâneas e, entre as declarações para reportagem, ia orientando o autor do processo: "Mande uma nova intimação, só com o atleta (Benitez, zagueiro do Galo expulso)", dizia.
A informação da denúncia do Alviverde havia sido confirmada pela secretária do STJD, que não quis revelar o nome do procurador que cometeu o "equívoco", segundo definição de Schmitt.
"Identificamos o equívoco no prazo legal, que era hoje (ontem). A denúncia foi feita hoje (ontem), fizemos a intimação e depois a desintimação", afirmou o procurador-geral, que mateve o nome sob sigilo. "Não importa (quem fez). Tenho 23 procuradores e isso (revelá-lo) só serviria para tumultuar."
No Coritiba, a ameaça só foi recebida depois que o susto havia passado. O diretor de futebol do clube, João Carlos Vialle, demonstrou um misto de surpresa e alívio. "Se fôssemos julgados pela fumaça, iam ter de começar a punir pela neblina, ou por foguete atirado do lado de fora do estádio. Mas ele (Paulo Schmitt) foi um cara de bom senso", disse.



