Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
violência policial

Comando afasta PMs que abordaram torcedora em caminhada

Policiais do Bope que empurraram Ana Paula de Lima contra uma porta de ferro farão serviços internos no quartel até o fim da apuração da corregedoria

O comando da Polícia Militar (PM) decidiu afastar do trabalho nas ruas os policiais que abordaram a estudante Ana Paula de Lima, de 18 anos, sábado, na caminhada da torcida do Coritiba para a partida contra o Vasco. Os três policiais que abordaram a moça, mais o que estava na viatura, todos do Batalhão de Operações Especiais (Bope), a elite da PM, farão apenas trabalhos internos no quartel até o fim da sindicância que vai apurar se houve abuso.

A corregedoria da Polícia Militar tem o prazo de 20 dias para concluir a apuração, com possibilidade de estender o prazo por mais 20 dias. Caso se constate abuso, os policiais podem ser expulsos da corporação. "O Comando do Bope reitera que tem sido enfático em relação aos direitos dos cidadãos, mas somente será sabido o que realmente aconteceu ao término do procedimento instaurado", informa a Polícia Militar em nota.

Ana Paula foi abordada de forma dura enquanto filmava com o celular a abordagem dos policiais a outros torcedores na caminhada até o Estádio Couto Pereira, sendo empurrada contra uma porta de ferro. Segundo a estudante, os policiais já desceram da viatura agredindo sem motivo os torcedores. Ao perceberem que a torcedora estava filmando a ação, os PMs foram para cima dela. "Se eles estavam preocupados com as imagens é porque estavam fazendo algo de errado", argumenta Ana Paula.

A decisão do comando em afastar temporariamente os policiais do Bope deixa a torcedora mais aliviada, mas não completamente. "Espero que essa decisão se mantenha depois do processo interno da PM. O ideal é que eles sejam punidos de fato", espera Ana Paula.

Segundo a advogada da estudante, Ana Luísa Camargo, até o início da tarde desta quarta-feira a corregedoria não havia chamado a torcedora para prestar esclarecimentos e nem solicitado outras provas para apuração. Além da filmagem da abordagem à estudante, feita por outra torcedora, Ana Paula tem também o áudio da conversa dos policiais na abordagem. "Como ela escondeu o celular na calça logo que foi abordada, conseguiu gravar o que foi dito na agressão", afirma a advogada.

O exame de corpo delito feito no Intistuto Médico Legal (IML) deve ficar pronto ainda nesta quarta-feira para também ser incluído na apuração. Segundo a Polícia Militar, todas as partes serão ouvidas na sindicância, assim como todas as provas serão arroladas.

Justiça

Além da apuração interna da Polícia Militar, Ana Paula também pretende processar os policiais na Justiça. A estudante registrou Boletim de Ocorrência contra os PMs ainda no sábado, no 1ª Distrito Policial, no Centro de Curitiba, e agora espera que, a partir da investigação da Polícia Civil, o Ministério Público faça denúncia contra os policiais.

Segundo a advogada, além das irregularidades que serão apuradas internamente – abuso de autoridade e revista a uma mulher feita por policiais homens -, três crimes poderiam ser enquadrados na abordagem. São eles: lesão corporal, violência arbitrária (no exercício da função) e constrangimento ilegal. "Há ainda o fato de que a agressão foi justamente para tentar manter a impunidade deles na abordagem aos outros torcedores", afirma Ana Luísa.

Ainda de acordo com a advogada, Ana Paula não pretende entrar com processo na Justiça solicitando indenização do estado. "Ela teria esse direito, mas acredita que o erro não foi da corporação, e sim desvios de conduta individuais desses policiais", explica.

Assista ao vídeo:

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.