
Na busca para fugir do rebaixamento, o Atlético está sensibilizando os jogadores pelo bolso. A diretoria não confirma, mas os bichos premiação paga após cada vitória mais que duplicaram em relação ao começo do Campeonato Brasileiro. E a tendência é a chegada de mais um "plus" em caso de vitória contra o Santos, sábado, no Pacaembu.
No começo do Nacional, conforme a reportagem apurou, cada jogador recebia R$ 2 mil por triunfo. No resultado positivo contra o Internacional, no dia 2 de outubro, a quantia foi a R$ 5 mil para cada um dos 14 jogadores que entraram em campo (11 titulares e 3 reservas). Um reajuste de 150%.
Quem estava no banco de reservas e não entrou na partida conforme a regra de remuneração no meio do futebol amealhou R$ 2,5 mil. No CT do Caju existe um acordo em que cada atleta tira 10% do extra e faz uma caixa para ajudar os companheiros não relacionados para as partidas.
O saldo desse tradicional "incentivo", devido à situação periclitante do time, é salgado para os cofres da Baixada: a diretoria se dispôs a desembolsar cerca de R$ 80 mil por sucesso em campo.
Normalmente, a premiação de cada rodada é decidida em reunião entre a diretoria e a comissão técnica. As cifras são repassadas aos atletas ainda no vestiário, após as partidas, em dinheiro. O famoso "bicho molhado".
Oficialmente ninguém dentro do clube fala sobre o assunto. A divulgação de supostos salários negados veemente pela diretoria pelo ex-presidente Mario Celso Petraglia na semana passada fez com que o assunto torne-se ainda mais delicado dentro do clube.
O próprio presidente do Rubro-Negro, Marcos Malucelli, recusa-se a confirmar números. "São coisas internas que só dizem respeito ao grupo de jogadores", afirma. O dirigente negou ainda que tenha sido definida uma nova premiação final caso o time escape do rebaixamento no Brasileiro.
"Está tudo dentro do que estabelecemos anteriormente", limita-se a dizer Malucelli. Questionado se no começo do ano já existia um valor para evitar a queda para a Série B, o presidente confirmou. "Vocês não falam tanto em planejamento? Pensamos em tudo, do primeiro ao último lugar", garante.
No entanto, o dirigente atleticano afirma que não há nenhuma orientação por parte do clube sobre quais temas os jogadores podem falar. Ou seja, desde dinheiro, passando pela política interna e até críticas ao time só não são comentadas porque os atletas não querem.
"Eu não oriento absolutamente nada. Não me intrometo na vida de ninguém. De jeito nenhum. Não tem nenhum jogador que possa dizer que o presidente pediu para não falar isso ou aquilo", ressalta.



