
Vestido de preto, com cabelo raspado e cara de mau, o segurança que vigiava uma das duas entradas do octógono do UFC Rio não acreditou na cena que presenciou na madrugada de domingo.
Quando ele resolveu agir e levantou o braço esquerdo, já era tarde. José Aldo Jr., o peso pena campeão do maior campeonato de artes marciais mistas (MMA) do mundo havia saído da jaula num piscar de olhos em direção aos braços do público, que praticamente lotou as arquibancadas da HSBC Arena, no Rio de Janeiro.
Instantes antes, o amazonense de alma carioca, torcedor do Flamengo, e candidato a ídolo nacional, nocauteou com dois golpes o americano Chad Mendes o terceiro homem que tentou roubar seu cinturão de ouro do Ultimate Fighting Championship (UFC). Faltava um segundo para o fim do primeiro round.
Na comemoração, José Aldo foi abraçado, beijado e festejado pelos fãs por longos dois minutos até ser carregado de volta ao ringue nos ombros de outro guarda-costas do evento. Um corrimão da arena foi quebrado durante o breve rompante de alegria do lutador. Um momento de catarse para quem saiu da periferia de Manaus e venceu na vida dependendo apenas do próprio suor.
"Foi uma emoção muito grande. Desde a hora que entrei, a galera toda me jogou para cima, com muita energia positiva. Dava para ouvir o grito de vai para cima, Aldo. Sei que não devia ter feito aquilo, mas estava emocionado. Me deixei levar, não teve como", desabafou Aldo, cuja atitude assustou o presidente do UFC, Dana White.
"Nunca vi algo assim. Ele me assustou, poderia ter se machucado, mas está tudo bem", relevou o dirigente, satisfeito com a apresentação do brasileiro.
O triunfo comprovou o dono da melhor técnica no octógono. O desafiante, oriundo do wrestling, tentava a todo custo derrubar o campeão para, então, ter a chance de acertá-lo no chão. Embora não seja nenhum especialista na área, Aldo mostrou uma eficiente defesa de queda aprimorada pelos treinos com o americano Gray Maynard semanas antes do combate.
Quando conseguiu se livrar do rival a poucos segundos de o gongo soar, Aldo girou e aplicou uma joelhada de muay thai direto no rosto de Mendes. O reflexo seguinte foi aplicar um "superman punch" com o oponente caído e então, sem pensar, partir em direção aos fãs que cantavam seu nome, sem chance de brutamontes pará-lo.
Parece que o posto de melhor artista marcial brasileiro já estará preenchido quando Anderson Silva, 36 anos, onze a mais do que Aldo, decidir se aposentar.



