Cobrada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia, para ingressar no mutirão pró-Arena na Copa de 2006, a prefeitura de Curitiba defendeu a campanha para transformar a capital em uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Mas avisa: a ajuda se limitará a obras públicas e não à conclusão do estádio rubro-negro, trunfo do clube para pleitear a realização do mundial na sua casa.
Em entrevista, respondida via e-mail, à Gazeta do Povo, o prefeito Beto Richa (PSDB) falou sobre as necessidade do município para receber o maior evento de futebol do planeta. Também dividiu responsabilidade com os governos estadual e federal.
"Os esforços para viabilizar a infra-estrutura necessária precisam ser conjuntos, com envolvimento das esferas de governo e de todos os segmentos da sociedade. As providências não dependem apenas de Curitiba", anuncia o político.
A Fifa deu até o dia 31 de julho para o Brasil preparar e enviar seu projeto completo sobre como pretende organizar o evento. Dois meses depois, os inspetores do órgão que comanda o futebol divulgarão um relatório conclusivo sobre as possíveis sedes.
Acompanhe os principais trechos da entrevista.
A pergunta foi feita pelo presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia: "Interessa a Curitiba receber da Copa do Mundo?"
Não há dúvidas. Um evento desse porte traz visibilidade à cidade, movimenta a economia. Todavia, pela própria grandiosidade, os esforços para viabilizar a infra-estrutura necessária precisam ser conjuntos, com envolvimento das esferas de governo e de todos os segmentos da sociedade. As providências não dependem apenas de Curitiba.
Há uma estimativa do retorno garantido com a realização de um evento desse porte?
Muitos investimentos precisam ser realizados para conseguirmos atingir os níveis de qualidade exigidos. O retorno é seguro, mas não necessariamente durante o evento, apesar de grande parte dele acontecer nesse momento. O retorno se dá também no contexto pós-competição, ao agregar as novas obras à vida da cidade e uma boa destinação aos equipamentos esportivos.
O presidente do Conselho Gestor do Atlético, João Augusto Fleury, reclamou do aeroporto "cheio de problemas e das vias provincianas de acesso à cidade", como alguns obstáculo para empreitada. A prefeitura concorda com a necessidade de melhoria nesse setores?
É lógico que serão necessários investimentos em diversas áreas. Mas estas são responsabilidades do governo federal (aeroporto) e estadual (malha viária) e Curitiba não pode intervir.
Quais seriam as prioridadeas?
Os estádios. Esse fator é determinante na escolha das cidades que irão abrigar os jogos da Copa. Depois existe todo um conjunto de obras de infra-estrutura viária, estacionamento, etc, prioritárias para promover a competição e bem receber os visitantes. Curitiba está dotada de boa infra-estrutura hoteleira.
A prefeitura pode investir no estádio ou apenas em obras públicas?
Somente em obras públicas, como a melhoria dos acessos e estacionamentos. O poder público poder ser um parceiro, mas está impedido de aplicar recursos em obras de responsabilidade da iniciativa privada.
Quais seriam as fontes de recurso para essas obras?
Novas obras de infra-estrutura precisam de projetos e estudos de viabilidade financeira. No caso da Copa do Mundo, os esforços têm de ser conjuntos, cabendo também aos governos federal e estadual responsabilidade pelas intervenções e obras necessárias para a realização do evento.
O que poderia ser feito pelos outros clubes da cidade, caso a Copa contemple mesmo a Arena?
Desde o ano passado, criamos mecanismos para que os empresários e clubes possam promover obras de melhorias e ampliações dos seus estádios. Através da Lei 11.997, sancionada no mês de novembro de 2006, foram criadas as Zonas Especiais Desportivas (ZE-D), com regras diferenciadas dentro da Lei de Zoneamento e Uso do Solo do município. Com as novas regras de construção em torno dos estádios de futebol, os clubes Atlético, Coritiba e Paraná podem executar intervenções nos estádios e criar áreas anexas. Até então, pela classificação na Lei de Zoneamento, estas áreas tinham várias restrições para construção.
(A lei foi encampada pelos vereadores Mário Celso Cunha e João Cláudio Derosso visando à saída do Colégio Expoente ao lado da Arena.)
Beto Richa, prefeito de Curitiba



