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Marketing

A guerra da roupa

Pelo quarto Mundial consecutivo, Adidas e Nike rivalizam para a ser a marca de material esportivo mais lembrada do mundo

Chuteira personalizada do meia brasileiro Kaká: calçado traz a inscrição em inglês “Jesus in first place”, cuja tradução seria “Jesus em primeiro lugar” | Fabrice Coffrini/ AFP
Chuteira personalizada do meia brasileiro Kaká: calçado traz a inscrição em inglês “Jesus in first place”, cuja tradução seria “Jesus em primeiro lugar” (Foto: Fabrice Coffrini/ AFP)

A partir de 11 de junho, nos gramados da África do Sul, Adidas e Nike travarão pela quarta Copa con­­secutiva a disputa para ser a marca de material esportivo mais lembrada do mundo. Desde que a multinacional norte-americana passou a vestir a seleção brasileira em 1997, as duas gigantes lutam palmo a palmo para cooptar as me­­lhores seleções e, consequentemente, obter mais visibilidade dian­­te dos aficionados por futebol.

Até agora a disputa está em­­pa­­tada. Cada uma conquistou um Mundial justamente em cima de seleções que vestiam a marca da principal concorrente. Em 1998, a logo da Adidas foi para o mundo todo com a França campeã diante do Brasil, que es­­treava em Copas com a Nike. Em 2002, foi a vez da Nike ganhar destaque, com a vitória do Brasil sobre a Alemanha, berço da Adi­­das. Em 2006, a Puma deixou a disputa das líderes para trás e venceu a competição com a Itália.

Em números, a Nike é a maior empresa do setor. No ano passado, faturou cerca de US$ 19 bi­­lhões, incluindo as vendas da Umbro, tradicional marca britânica adquirida pela multinacional norte-americana em 2007. A Adidas, por sua vez, gerou receita de aproximadamente US$ 16 bilhões em 2009, também in­­cluindo os números de outra tradicional fornecedora britânica incorporada pela empresa alemã em 2005, a Rebook.

Para o diretor da área esportiva da consultoria Crowe Hor­­wath RCS, Amir Somoggi, apesar de a Nike ter um mercado maior, a Adidas terá maior visibilidade na Copa 2010. "Em termos globais, a Nike é muito maior do que a Adi­­das. Porém o que vai prevalecer na Copa é a marca alemã, que é a grande parceira da Fifa desde a década de 1970", avalia Somoggi.

Os perfis diferentes entre as duas também é um fator de in­­fluência para visibilidade na Co­­pa e na conquista do consumidor. Enquanto a Adidas segue a linha politicamente correta, tendo como seus principais garotos-propaganda o brasileiro Kaká e o argentino Messi, a Nike investe em craques de comportamento mais rebelde não só dentro de campo, como o português Cris­­tia­­no Ronaldo e o brasileiro Ro­­bi­­nho. "Cada um vai para um la­­do. A Nike usa uma estratégia mais arriscada de ficar alheia ao establishment. Tanto que não é o objetivo dela tirar a Adidas como parceira da Fifa. Já a Adidas está consolidada como a [fornecedora] oficial", ressalta Somoggi.

Vendas

Apesar de as duas multinacionais não terem no futebol a principal fonte de renda – o grosso do faturamento das duas multinacionais vem da venda de tênis –, as Copas servem para ambas alavancarem seus faturamentos.

De acordo com o diretor da área esportiva da Crowe, nos três meses subsequentes ao Mundial de 2006, a Adidas registrou vendas 30% maior do que o mesmo período do ano anterior. "Quem compra fica suscetível com as campanhas e com toda a movimentação da Copa. Quanto mais a marca investe em atletas de ponta, mais isso se reflete no consumidor comum", explica.

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