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Coreia do Norte

Asiáticos adotam tática truculenta de isolamento

Adversários do Brasil na estreia, norte-coreanos se fecham na África do Sul. Quem chegar perto é recebido por policiais armados e hostis

Kim Jong-hun, técnico norte-coreano, líder da antipatia | Stephane Mahe/ AFP
Kim Jong-hun, técnico norte-coreano, líder da antipatia (Foto: Stephane Mahe/ AFP)
Policial sul-africano, com arma na mão, aborda todos que tentam se aproximar do hotel escolhido pelos norte-coreanos: ninguém chega perto! |

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Policial sul-africano, com arma na mão, aborda todos que tentam se aproximar do hotel escolhido pelos norte-coreanos: ninguém chega perto!

O futebol é apenas mais um item no mundo fechado em que a co­­munista Coreia do Norte escolheu para viver. A seleção do país, primeira adversária do Brasil na Copa (15/6), se isolou na pequena Mi­­drand, cidade vizinha a Johannes­­burgo, no caminho para Pretória.

Assim como nenhum cidadão norte-coreano tem a permissão do governo para deixar o país, quem ousar se aproximar do im­­ponente hotel em que o time do ditador Kim Jong-il está concentrado é "convidado" a se retirar por policiais impacientes, todos com poderosas armas em punho.

Foi o que aconteceu ontem com a reportagem da Gazeta do Po­­vo. Não deu nem tempo de pedir para um dos porteiros da rede de hotéis Pro­­tea localizar alguém que pu­­desse dar informações sobre os orientais. Já em seguida, 3 dos 20 seguranças sul-africanos responsáveis pelo isolamento total cercaram o carro do jornal. Armados com escopetas, foram curtos e grossos: "Não sabemos de nada. Agora peço que se retirem imediatamente", disse um deles, acabando com qualquer possibilidade de diálogo.

A pressão não terminou aí. O grupo "escoltou" a reportagem até a saída da cidade. Antes, porém, pro­­videnciou outra blitz, trancando a passagem com uma moderna caminhonete branca, da marca Mazda. Batida que durou cerca de 20 minutos – tempo necessário para a delegação norte-coreana se movimentar dentro do hotel. "Vo­­cês não vivem aqui, não sabem de nada. É melhor se preocupar com o time de vocês, o Brasil. Os dois países vão se enfrentar e eles (orien­­tais) não querem que saibam de nada", decretou outro po­­licial, antes de encerrar a ameaça: "Precisam pensar nas suas mulheres".

O episódio ilustra o clima de guerra em que se transformou os arredores do quartel-general dos súditos de Kim Jong-il. Na­­­cio­­­­nalistas ao extremo, os jogadores apenas obedecem às or­­dens do ditador. Mesmo que isso signifique morrer no amador futebol local – apenas 3 dos 23 convocados atuam no exterior. Ou entrar na concentração um dia antes do previsto, driblando inclusive a Fifa.

Na terça-feira, cada atleta chegou ao hotel com uma pequena bandeira do país nas mãos, saudados pelas recepcionistas com o fa­­moso " Rap das Armas", tema do fil­­me Tropa de Elite, sucesso na terra da Copa.

O único a quebrar o metódico e sisudo protocolo foi o atacante Jong Tae-Se, de 26 anos, principal nome da Coreia do Norte. Ape­­li­­dado de Rooney oriental por causa dos gols em profusão, o jogador do Kawasaki Frontale (Japão) aceitou conversar com a imprensa. "Eu quero mudar isso. Eles não gostam de falar porque a mídia transmite para muitas pessoas uma imagem má da Coreia. Fa­­lam que é fechado, que tem bomba. São informações ruins. Eles têm medo do que vão falar de nós", ressaltou ele, ao site globoes­­porte.com.

Distância que só deve voltar a se encurtar no domingo, quando os orientais enfrentam a Nigéria em partida amistosa. Será a chance de Dunga saber um pouco mais do enclausurado rival. E de os 1.000 chineses importados por Kim Jong-il para torcerem a favor do país na Copa ensaiarem as coreografias, já que, na Coreia, nem pela televisão os nativos poderão acompanhar o desempenho do time. Ordem do governo. Quem desobedecer...

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