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Viva Madiba: torneio passeia pela história de Mandela

Port Elizabeth, Cidade do Cabo, Durban e Johannesburgo receberam capítulos importantes da trajetória do líder sul-africano. Doente, Mandela tem participação incerta na Copa

À medida que a Copa do Mundo for se espalhando pela África do Sul, os torcedores terão contato com passagens importantes de Nelson Mandela em algumas das nove cidades que receberão o Mundial. Principal nome da história sul-africana, o ex-presidente (entre 1994 e 1999) ficou preso por 27 anos pelo regime do apartheid.

O relacionamento do ícone com a competição co­­­meça já no nascimento do estadista, em 18 de julho de 1918. Natural do pequeno povoado de Qunu, na província do Cabo Oriental, Mandela batiza o estádio da cidade de Port Elizabeth – o Nelson Mandela Bay.

Localizada cerca de 400 quilômetros ao norte de Elizabeth, Qunu está na metade do caminho para ou­tra importante subsede da Copa: Durban, que receberá Brasil x Portugal na última rodada da primeira fase. O trajeto entre Elizabeth e Durban é chamado de "Madiba Trail", algo como "Caminho do Madiba", em referência à forma como uma pessoa mais velha é chamada no clã dos Mandela.

Os passos do herói nacional prosseguem na paradisíaca Cidade do Cabo, no sul do país. Apenas 11 quilômetros distante da cidade que possui atrações como a Table Mountain (uma montanha em formato de mesa) e o novíssimo estádio Green Point, fica a Ilha Robben, local onde Mandela ficou detido por 27 anos (entre agosto de 1962 e fevereiro de 1990).

Após sair da cadeia, o líder foi viver no Soweto, principal gueto negro de Johannesburgo. Na maior cidade da África do Sul, Madiba teve histórias relevantes nos dois estádios que receberão partidas do Mundial.

Quando o Soccer City – palco do jogo de abertura e da final da Copa – ainda chamava-se FNB Stadium, Mandela emocionou a todos com seu discurso pós libertação dentro do gramado. Na oportunidade, convocou os compatriotas brancos a unirem-se aos ne­­gros na batalha pelo fim do apartheid (que consumaria-se dois anos mais tarde). "Paz, liberdade e direitos iguais a todos", pediu no primeiro pronunciamento após ser libertado.

"Havia um temor muito grande de um discurso re­­volucionário e revanchista. Mas isso não ocorreu. Pelo contrário, a postura do Mandela foi fundamental para que fosse visto de uma maneira diferente pelos brancos", comenta o jornalista brasileiro Marcos Tosi, que viveu e trabalhou na África do Sul na época do fim do apartheid.

Já na outra praça esportiva de Johannesburgo que receberá o Mundial, o Ellis Park, o ícone sul-africano te­ve também uma passagem que ficou eternizada. Após a final da Copa do Mundo de rúgbi, em 1995, Man­­­dela entregou o troféu de campeão ao capitão da seleção sul-africana, François Pienaar, um africâner (etnia branca que havia comandado o regime separatista do país). Presidente havia um ano, o líder usou a competição para unir os ideias da população.

"Até hoje ele (Mandela) segue sendo uma reserva moral", avalia Sérgio Gil, especialista em África do Sul.

Aos 91 anos e com a saúde debilitada, Nelson Man­dela não deve ter grande participação no Mundial de fu­tebol. Na Copa das Confederações do ano passado, por exemplo, sua única aparição foi em uma visita realizada pelos Bafana Bafana à sua Fundação. Já no sorteio dos grupos da Copa, em dezembro, apareceu apenas por meio de uma mensagem gravada em vídeo.

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