
Uma Copa do Mundo histórica, disputada pela primeira vez no continente africano, tinha de ter um desfecho especial. Ao vencer a Alemanha, ontem, a Espanha garantiu uma final inédita. Além disso, o vencedor do duelo entre a Fúria e a Holanda, no domingo, terá a honra de integrar o restrito grupo de seleções campeãs mundiais. Será o oitavo componente da lista, que não ganhava um intruso desde 1998, quando a França mudou definitivamente seu status para potência da bola.
Até então apagada no solo sul-africano, a Espanha reencontrou seu brilhou ontem. Desde o início, acuou a seleção que tinha mostrado o melhor futebol do torneio nas fases anteriores. Na base da pressão, fez o gol em escanteio aproveitado por Puyol. Ganhou por 1 a 0. Mesmo placar que havia imposto aos germânicos na final da Eurocopa 2008. Com a presença assegurada em mais uma decisão, os espanhóis podem repetir uma façanha que apenas a rival de ontem tem no currículo: erguer as taças europeia e mundial em sequência. A Alemanha levou a Euro em 1972 e a Copa do Mundo em 74.
Apesar de ter feito apenas uma campanha modesta na competição, com direito a derrota para a Suíça (1 a 0) na estreia e vitórias magras nas partidas seguintes, a Espanha comprovou com o triunfo de ontem ser o time mais perigoso da atualidade. Desde que assumiu a liderança do ranking da Fifa, em julho de 2008, só perdeu o posto para o Brasil em duas oportunidades após ser surpreendida pelos EUA (2 a 0), na semifinal da Copa das Confederações de 2009, e dois meses antes do início desta Copa. Em 32 jogos como campeã da Europa, a Fúria perdeu apenas para norte-americanos e suíços.
Do outro lado da decisão programada para o Soccer City, a equipe do técnico espanhol Vicente Del Bosque terá um time pronto para derrubar a favorita. A Holanda está invicta há 25 jogos, segue 100% no Mundial desde as Eliminatórias e chega à terceira final de sua história. A Laranja, inclusive, participou da última decisão que confrontava dois times que nunca haviam sido campeões. Foi em 1978, contra a Argentina. Perdeu. Mas, apesar de não tanto como em 74, tinha um estilo mais vistoso, bem diferente do pragmatismo atual.
Dando prioridade ao resultado e menos à plasticidade, os holandeses não pretendem desperdiçar mais uma chance de comemorar. "Não é hora de falar de cansaço. Precisamos de mais 90 minutos de esforço para conquistar a maior vitória de nossas carreiras", afirmou o atacante Kuyt, prontamente apoiado pelos companheiros.
Apesar de caloura em uma final de Copa, a Espanha promete espantar a fama de pipoqueira costuma chegar com moral ao torneio, mas nunca teve sucesso. "Final não é uma partida para se jogar, mas sim para ganhar. Nós queremos mais", bradou o espanhol David Villa, artilheiro do torneio com cinco gols ao lado de Sneijder, seu rival no último jogo.
À Alemanha, que tomou sufoco da Fúria na semifinal, resta brigar pela repetição do terceiro lugar obtido há quatro anos, em casa. Encara o Uruguai, no sábado. Como prêmio de consolação, termina o torneio como a equipe que mostrou o melhor futebol o que não repetiu ontem. Entre os brasileiros, será sempre lembrada pelos contundentes 4 a 0 impostos à Argentina de Maradona.





