Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
comportamento

Hora de fechar o bolão

Apostas informais ganham força em período de Copa. Colegas de trabalho e famílias intensificam a jogatina às vésperas da abertura do Mundial

No grupo do ex-jogador Serginho Prestes (dir.), o filho Guilherme deu a ideia e o sobrinho Rodrigo (esq.) fez a planilha |
No grupo do ex-jogador Serginho Prestes (dir.), o filho Guilherme deu a ideia e o sobrinho Rodrigo (esq.) fez a planilha (Foto: )

Começa assim: uma movimentação constante de funcionários de vá­­rios setores em uma mesma me­­sa. E não é a do chefe. Depois, são os burburinhos nos corredores, que, em pouco tempo, tornam-se mais ruidosos. Às vésperas de Co­­pa, tais sinais não deixam dúvida: há um bolão em curso na empresa.

O jogo de apostas no desempenho dos times do Mundial na Áfri­­ca do Sul é uma brincadeira tão co­­mum que extrapola a esfera institucional. Os palpites são lançados entre grupos de amigos, familiares e até entre pessoas que não se conhecem, especialmente via in­­ternet. Mais do que faturar a bolada, esse pessoal quer mais um mo­­tivo para se reunir. E não perder a piada.

"Antigamente, o vencedor ficava com todo o dinheiro da aposta. Agora, dividimos em cotas: 60 % para o primeiro lugar, 25% para o segundo, 10% para o terceiro e 5% para o último. Afinal, quem não entende nada de futebol merece um prêmio de consolação", diverte-se o técnico administrativo Er­­­­nani Fuhrmann, que há anos ge­­­­rencia os bolões na Sanepar, onde trabalha. Há quantas Copas? "Nem lembro, comecei a fazer isso nos tempos da inflação. A gente indexava o valor da aposta em dólar, para não ficar defasado", diz.

Este ano, os colegas de Fuhr­­­mann terão até as 11 horas da próxima sexta-feira para enviar, por e-mail, seus palpites, que serão re­­gistrados em uma planilha do Excel. Para participar, desembolsam R$ 50. "A Copa vira assunto nos intervalos. Em dia de jogo, é uma agitação para saber quem vai para a liderança", conta.

Valor bem mais módico é o cobrado pelo ex-jogador Serginho Prestes no bolão que organiza com a família e com outros amigos: R$ 10. "Quem sugeriu a brincadeira foi meu filho, o Guilherme, há oito anos [Copa de 2002], quando ele tinha 11 anos. Tivemos uns 20 participantes. Este ano, vamos fechar entre 50 e 100 pessoas. É divertido, mas quem entende mesmo de fu­­tebol nunca vence. Só deu zebra, até agora", fala Pres­­tes. Na última edição, a vencedora foi a mulher de um sobrinho. "Nem vou contar quem ficou em último, para não ficar feio. Só digo que também era boleiro", fala.

As primeiras apostas do grupo eram à mão, no papel. Já para a Co­­pa de 2006, a tecnologia entrou em ação: o so­­brinho de Serginho, Ro­­drigo Va­­les­­ki, montou uma planilha "profissional", parecida com a usada pelo pessoal da Sanepar.

O jornalista Daniel Vaina Ama­­relo também se esforça para me­­lhorar a dinâmica do bolão a cada edição. "Crio algumas regras, tento dar pontuação de acordo com a lógica. Se alguém aposta que um time se classifica em primeiro lu­­gar e isso acontece, ganha mais pon­­tos do que quem só acerta a clas­­sificação", diz. "O lance da di­­versão é que sou um grande tirador de sarro e o bolão é uma grande chan­­ce para isso", destaca.

Seu primeiro bolão foi com amigos de infância, em 1994, no tetra do Brasil. Agora, a brincadeira inclui "o amigo do amigo do ami­­go" e deve chegar a 200 pessoas. "Tanto que tem gente que não conheço pessoalmente."

Há ainda quem invista em uma espécie de "ação integrada". O produtor de eventos João Hamílton Rodrigues vai assistir aos jogos com os amigos. Além do bolão, 25 deles colaboraram com R$ 100 ca­­da pa­­ra a compra de um televisor de 42 po­­le­­gadas. Ao fim da Copa, um de­­les fica com o eletrodo­­més­­tico, escolhido por sorteio.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.