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Fase final

Loucura ofensiva

Argentino Marcelo Bielsa, técnico do Chile, não abre mão de atacar a todo custo mesmo sabendo que isso é tudo que a seleção brasileira deseja

O técnico argentino Marcelo Bielsa já perdeu duas vezes para o Brasil (3 a 0 e 4 a 2), justamente por optar em jogar no ataque contra a equipe de Dunga. Mesmo assim, técnico apelidado de Louco pelos compatriotas promete time agressivo | Martin Bernetti/AFP
O técnico argentino Marcelo Bielsa já perdeu duas vezes para o Brasil (3 a 0 e 4 a 2), justamente por optar em jogar no ataque contra a equipe de Dunga. Mesmo assim, técnico apelidado de Louco pelos compatriotas promete time agressivo (Foto: Martin Bernetti/AFP)

Marcelo Bielsa não virou o El loco por acaso. O treinador é quase uma caricatura. Não faz questão de esconder que caminha contra a corrente. Em um Mundial marcado, sobretudo, pelo defensivismo, não pensa nem dois segundos em mandar o Chile para o ataque. Foi assim que os andinos passaram sem sustos por Hon­­duras e Suíça. E complicaram a vida dos espanhóis, a segunda melhor seleção do planeta de acordo com o ranking da Fifa, atrás apenas do Brasil, o adversário de hoje no Ellis Park. "É um jogo de tudo ou nada. E tudo faremos para que seja conveniente para nós", disse o técnico.

Para onde vai o argentino leva seu esquema preferido, o 3-4-3. Joga o time para frente, mesmo que o adversário ostente cinco títulos de Copa. Às vezes dá certo, como comprovou a campanha nas Eliminatórias Sul-Ame­rica­­nas. Em outros momentos, nem tanto. Bielsa e seu plano de jogo fracassaram bisonhamente na Copa de 2002. Não conseguiu tirar a Argentina da primeira fase – o grande pesadelo de sua carreira que nem a medalha de ouro olímpica em Atenas-04 atenuou.

A tática também não costuma surtir efeito contra a seleção brasileira justamente por causa do contra-ataque oferecido ao adversário, arma letal do atual time canarinho. O Chile é o maior freguês da "Era Dunga". Levou cinco goleadas em pouco mais de três anos e meio. Des­taque ao impiedoso 6 a 1 na Copa América de 2007. "É difícil assumir uma posição defensiva em qualquer jogo com o Brasil. Uma forma de defender mais é atacar mais, pressionar para roubar a bola perto do gol da seleção brasileira", explicou.

El Loco se defende em relação ao tabu. Diz que participou apenas dos dois últimos reveses. Um 3 a 0 em Santiago (2008), resultado alentador para Dunga, pois amenizou a pressão para que a CBF trocasse o comando técnico, e o 4 a 2 do ano passado, em Sal­vador, ambos pelo classificatório da América do Sul. "A cada partida temos uma nova oportunidade de inverter essa tendência. Respeito a história futebolística do Brasil, mas queremos, hu­­mildemente, o nosso espaço", afirmou o treinador.

Bielsa aposta no faro de gol de Humberto Suazo para por fim à sina. O atacante foi preservado para a fase de mata-mata porque vinha se recuperando de uma le­­são no tendão da perna esquerda. Participou de apenas 45 minutos da vitória sobre os suíços (1 a 0).

A precaução faz sentido. Suazo é o único jogador deste grupo que já venceu Júlio César. Foi dele o gol de honra no 6 a 1 e os dois marcados na Bahia. "Ele sofreu muito com lesões nos últimos dois meses. Agora está completamente recuperado, em condições de nos ajudar", disse Bielsa.

Desfalques

Suazo, porém, não poderá contar com a ajuda dos zagueiros Ga­­ry Medel e Waldo Ponce, suspensos pelo acúmulo de cartões amarelos, e do volante Estrada, expulso na derrota por 2 a 1 para a Espanha. Nada que desanime Bielsa e sua louca vontade de atacar.

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