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Copa 2014

O risco Arena

Opção pelo estádio atleticano causa saia-justa na aplicação do dinheiro público em uma obra privada. Habilidade política passa a ser essencial para Curitiba ser subsede

Arena continua sendo a primeira opção para Curitiba receber a Copa 2014. Investimento no estádio rubro-negro representaria economia de R$ 300 milhões  em relação à construção de um estádio novo | Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo
Arena continua sendo a primeira opção para Curitiba receber a Copa 2014. Investimento no estádio rubro-negro representaria economia de R$ 300 milhões em relação à construção de um estádio novo (Foto: Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo)

Serão quatro anos de obras e muito dinheiro envolvido até que Curitiba receba um jogo da Copa 2014. Até lá, torcedores, políticos, financiadores, imprensa e quem perceber a grandiosidade do evento que dura apenas um mês (em Curitiba provavelmente me­­nos) ficarão de olho nas mudanças que a cidade terá pensando no Mun­­dial. O histórico deixado pelo Pan do Rio, em 2007, faz com que a população fique alerta: como ava­­liar os benefícios trazidos pelo torneio e fiscalizar a ação do di­­nheiro público?

No Paraná, a primeira opção de estádio, com muita novela e mistério, será confirmada. Entre projetos mirabolantes que nunca saíram do papel e a dificuldade em se acertar a maneira da conclusão da Arena, os governos preferiram o se­gundo risco. O que pode significar uma economia de quase

R$ 300 milhões. Para se erguer um novo estádio, estima-se, seria ne­cessário cerca de R$ 400 mi­­lhões, muito mais do que os R$ 140 milhões da obra da Baixada. E que terão, no compromisso do Atlético, um terço quitado com verba própria.

Governo do estado e prefeitura terão de ajudar, mesmo que indiretamente, a conseguir os dois terços restantes. O estado articula um patrocínio da Copel, que passaria a divulgar sua marca associada ao nome da praça esportiva. A prefeitura ofereceu a solução do potencial construtivo ao clube (leia mais abaixo), que em um primeiro momento recusou a proposta, mas depois voltou atrás, de acordo com informações do go­­verno.

"Estamos cobrando o porquê dos atrasos. A Caixa [Econômica, ban­­co estatal] está agindo com mui­­ta burocracia e não está se dando conta da pressa que temos", re­­clamou Simone Manasses, coordenadora-geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Paraná. A burocracia já traz outro problema. "Não se começam tantas obras ao mesmo tempo em tantos lugares diferentes. Não existe essa ociosidade no mercado", avalia Sérgio Buer­­ger, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR). Ou seja: não haverá gente o suficiente para tantas obras em tão pouco tempo.

Uma comissão de oito pessoas, com gente do Tribunal de Contas da União e do TCE, será a responsável por fiscalizar o uso do dinheiro no Paraná. Todos os valores deverão ser atualizados pelo site fiscalizacopa2014.gov.br. Por ora, tudo parado.

É essa comissão que fiscalizará, entre outras coisas, a impossibilidade de uso do dinheiro público na obra da Baixada. "Não temos ciência oficial de que saiu dinheiro público para o privado. Tería­­mos de ver a legalidade da ação. Se houver amparo le­­­gal, tudo bem. Se não, é irregular", disse Simone.

Segundo estudo da consultoria Ernest&Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, Curitiba terá 0,7% de acréscimo no PIB (em relação ao índice 2010, de R$ 343 mi­­lhões), com base nos in­­ves­­ti­­men­­tos para a Copa, em infraestrutura. O índice é o mesmo pre­­vis­­to para o país todo. A capital pa­­­­­­­ra­­naense, no entanto, é a nona cidade nesse ranking de estimativa.

Natal (RN) terá uma movi­­men­­tação prevista de 7,1% a mais no PIB, graças aos investimentos. Já São Paulo terá 0,2% de acrés­­cimo. O índice teoricamente baixo para Curitiba é justificado: a cidade é a que menos precisa de ajustes para o Mun­­dial, com uma boa infraestrutura e um estádio semipronto.

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