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Brasil

Bola da Copa deixa Júlio César indignado

Principal nome da seleção brasileira, jogador da Inter de Milão diz que a Jabulani foi criada para prejudicar os goleiros

O goleiro brasileiro Júlio César, nome incontestável do time de Dunga e considerado o melhor do planeta na posição, não aprovou a bola oficial da Copa do Mundo, chamada de Jabulani | Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial
O goleiro brasileiro Júlio César, nome incontestável do time de Dunga e considerado o melhor do planeta na posição, não aprovou a bola oficial da Copa do Mundo, chamada de Jabulani (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial)

"Essa bola é horrível, horrorosa. Parece bola que você compra no mercado". A declaração não é de qualquer um. Mais ídolo do que a maior parte dos jogadores de ataque da seleção brasileira, o goleiro Júlio César descascou a Jabulani: bola oficial do Mundial de 2010.

Favorito para figurar entre os melhores da Copa, o brasileiro lamentou a novidade imposta pela Fifa. A bola, que pesa aproximadamente 440 gramas, é mais pesada do que as tradicionais, que têm cerca de 410 gramas.

Outros jogadores já reclamaram – como o goleiro americano Hahnemann, que disse que a bola "parece de plástico" – mas na abertura da competição, dia 11, a polêmica esférica está confirmada no Soccer City para África do Sul e México, na abertura da disputa. Além da diferença de peso, a Ja­­bulani tem ainda quatro gomos mais saltados do que o restante do couro, o que a faz parecer levemente ovalizada.

"É mais uma coisa para prejudicar os goleiros. É bola, é gente a mais na barreira e era jogador parando e dando cambalhota na hora do pênalti", reclama o ar­­queiro, comemorando pelo menos o fim da paradona a partir do dia 1.º do mês que vem.

Bola à parte, Júlio César chega para a Copa como um dos nomes de maior expressão do time de Dunga. Titular incontestável há três anos, ele tem inclusive o aval completo de seus dois reservas: Doni e Gomes.

"Viemos aqui para empurrar ele", disse o jogador do Tottenham, da Inglaterra, sabendo que nem ele, muito menos o colega de posição da Roma, da Itália, terão espaço. No entanto, tal empurrão talvez nem fosse necessário. Ao contrário de outros tempos, o gol e a defesa são os pontos mais celebrados na equipe canarinho. Solidez fundamental nas conquistas da Copa América, Copa das Confederações e na classificação tranquila para a Copa do Mundo.

"Não é só o Júlio. Estou aqui diante dos três melhores brasileiros para a posição", comenta Taffarel, indicado por Dunga para ser observador de adversários. Enquanto a Copa não começa, o tetracampeão está auxiliando o preparador Wendell Ramalho nas atividades com os goleiros. "É um sonho estar aqui novamente. Mas vendo eles treinar, vejo que fui um goleiro do passado mesmo. O futebol evolui muito rápido", diz o número 1 em 1990, 1994 e 1998.

Se foi "ultrapassado" pela agilidade e técnica dos mais novos, os goleiros atuais do Brasil têm muito a agradecer a Taffarel. Quando chegou ao italiano Parma, no início dos anos 90, os que defendiam a meta no país do futebol não tinham nenhum cartaz.

"Me avisaram lá que só fui contratado por causa do patrocínio da Parmalat, que estava entrando no Brasil", revela, sabendo que escancarou as portas para hoje serem diversos nomes espalhados pelas principais ligas da Europa.

"E não somos só nos três [os da seleção]. Tem o Hélton no Porto, o Diego [Almería] na Espanha, o Renan lá também [Xerez]. Foi o Taffarel quem começou tudo isso", elogia Júlio César, que ficou pelo menos 40 minutos da uma hora de entrevista coletiva dos três goleiros respondendo aos jornalistas.

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