
No vestiário, minutos após o Brasil sucumbir ante a Holanda (2 a 1), ontem, em Port Elizabeth, os jogadores se abraçaram e fizeram a última corrente na Copa do Mundo 2010. A maioria não conseguiu segurar o choro ao ouvir as palavras do capitão Lúcio, elogiando a postura de um grupo que "em 43 dias demonstrou um caráter excelente" na visão do zagueiro.
O discurso desmoronou uma seleção abalada emocionalmente. Um time que encampou como poucos o discurso do chefe, guerreando por quase um mês e meio, com a adrenalina a mil mas sem estrutura psicológica para tanto. Dentro de campo, o descontrole pôde ser medido pelo comportamento da equipe, que viu o chão se abrir tão logo Felipe Melo desviou um cruzamento de Sneijder, igualando o marcador que mais tarde seria "virado".
À parte a expulsão do volante, um personagem central retrata com precisão a pilha de nervos em que se transformou o time de Dunga com o passar dos minutos. Júlio César estava arrasado ao passar pela zona mista. Com os olhos vermelhos e inchados, abriu a série de entrevistas. Queria se explicar logo. Falar da indecisão ao sair do gol e do choque com Felipe Melo, capítulo que iniciou a derrocada.
"O primeiro gol deu um baque na equipe, em um lance em que eu acabei errando a bola e o Melo tocou de cabeça. Foi excesso de vontade das duas partes. Eu errei e ele errou", ressaltou o goleiro, remanescente do grupo que em 2006 também caiu nas quartas de final, eliminado pela França. "A cobrança no Brasil sempre é grande. Vocês estão vendo como eu estou. Não tive condições de pensar nisso [em continuar defendendo a seleção]. Só quero chegar em casa e abraçar a minha mulher e os meus filhos", emendou, embargando a voz.
Gilberto Silva, o capitão número 2 de Dunga, não demonstrou o mesmo controle de Júlio César. Abatido, chorou em meio a uma resposta, buscando uma explicação que teimava em não vir. Seguiu pela via mais óbvia. "Está sendo duro. Todos estão abatidos e tristes. Vai ser difícil passar a noite. Demos uma bobeada e fomos eliminados, mais por erros nossos do que por méritos deles. É a vida. É isso", disse o volante que, aos 33 anos, se despede dos Mundiais o terceiro de sua carreira. "É inevitável a tristeza que todos nós sentimos neste momento. Nosso sonho era sair daqui campeão", acrescentou o zagueiro Lúcio.
Protagonistas de uma tarde em que os nervos estiveram à flor da pele. Para o mal do Brasil. "Foi o jogo mais amargo da minha vida", encerrou Júlio César.



