
O paranaense Kleberson, se feita uma fria análise dos últimos quatro anos, jamais poderia sonhar com a Copa do Mundo da África do Sul. Mas, apesar de atravessar uma fase claudicante durante toda gestão Dunga à frente da seleção brasileira, o meia está otimista. E tem motivos para isso.
Desde meados de 2009, quando ressurgiu para o futebol mundial ao ser convocado para substituir Anderson na lista dos relacionados à disputa da Copa das Confederações, o jogador revelado pelo Atlético, hoje no Flamengo, parece gozar da simpatia do treinador da CBF.
Nesta sexta-feira, após um primeiro contato com o sogro do camisa 15 flamenguista, Marcos, a Gazeta do Povo entrevistou o pentacampeão mundial (2002, Coreia do Sul e Japão) após ponte feita pela assessoria de imprensa do jogador. Embora, por enquanto, não tenha certeza alguma de ter seu nome relacionado na lista de convocados que vai à Copa da África do Sul (Dunga divulga a relação na terça-feira), Kleberson não esconde a confiança.
Convocado três vezes desde o ano passado (atuou em dois jogos na Copa das Confederações, e nos amistosos contra a Estônia e Irlanda), ele acredita que conseguiu mostrar ao "chefe" o que pode oferecer para a seleção. "Só me resta esperar. Estou tranquilo, feliz e à disposição", disse. Com a bola rolando, Kleberson conseguiu algo a mais que o respeito de Dunga.
No jogo contra a Estônia, dia 12 de agosto do ano passado, o meia sofreu uma luxação no ombro e desfalcou o Flamengo campeão brasileiro daquele ano durante o restante da competição. O treinador teria então feito uma promessa ao jogador: lembraria dele, caso ele se recuperasse a tempo. A parte que lhe competia, Kleberson fez (foi destaque no triunfo do Flamengo diante do Corinthians, quarta-feira, pela Libertadores).
O meia refuta esse "acordo de cavalheiros". "Não vejo uma convocação como recompensa. Se eu for convocado será pela minha competência, pelo meu trabalho e por tudo que eu fiz na seleção com o Dunga. É isso que vai me levar para a seleção", explicou.
"Não acredito que exista uma pré-lista. Nem acho que os jogos recentes terão influência. Ele vai chamar os jogadores com base num trabalho de quatro anos", complementou.
A "panelinha" de Dunga reforça a ansiedade e expectativa do meia que desde o título de 2002 não conseguiu bons resultados no Manchester United e Besiktas (Turquia). O comandante nacional tem se mostrado firme em suas convicções e costuma apostar em jogadores que estão consigo. Isso afasta a possibilidade de surpresas e faz crescer a expectativa de Kleberson figurar entre os convocados.
Aos 30 anos, a revelação de Uraí (cidade próxima a Londrina) se considera um jogador maduro. Ele acredita que, sem modéstia, a seleção tem muito a ganhar com sua presença. "Acho que minha experiência, por eu ter sido campeão em 2002, vale muito. Dou-me bem e tenho boa relação com todos os jogadores, ajudando sempre que preciso. Pau para toda obra mesmo", disse.
O jogador deve acompanhar a divulgação dos convocados em casa, no Rio de Janeiro. "Se não tiver treino, vou ver a divulgação dos nomes com minha família, com as crianças: o Klebinho [Kleberson filho], de seis anos, e a Daphne, de dois", fechou.
Além de Kleberson, o estado ainda pode contar com Nilmar, do Villarreal (Espanha), natural de Bandeirantes.
Lembrança dos tempos de Atlético
Apegado à família, Kleberson mantém suas raízes. "O Atlético é um clube que eu carrego comigo para onde eu for. Sei que um dia vou voltar para ai e poder jogar pelo Atlético novamente. É até uma forma de agradecer tudo que o clube me proporcionou. Tenho família e casa na cidade", revelou.
Falando em Atlético, o jogador confirmou o interesse que o clube teve há algumas semanas, mas negou qualquer avanço nas conversas. "Foi uma sondagenzinha, nada de formal. Sei do carinho que todos aí tem por mim e fico muito feliz com isso".



