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Brasil

Estranhos no ninho

Seleção brasileira treina em um campo de rúgbi dentro de uma escola frequentada predominantemente por brancos. Futebol não existe para os funcionários do local. Nem Kaká é conhecido

Pieter Booysen, diretor da Hoerskool Randburg, escola onde o Brasil treina em Johannesburgo,  exibe a  camisa do Pretoria Bulls, equipe sul-africana que decide hoje o Super 14, uma espécie de Libertadores da modalidade | Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial
Pieter Booysen, diretor da Hoerskool Randburg, escola onde o Brasil treina em Johannesburgo, exibe a camisa do Pretoria Bulls, equipe sul-africana que decide hoje o Super 14, uma espécie de Libertadores da modalidade (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial)
Policial ar­­mado, algo que não tem no treino bra­­sileiro, acompanha o time austra­­liano |

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Policial ar­­mado, algo que não tem no treino bra­­sileiro, acompanha o time austra­­liano

Uma escola particular, tradicional e que nunca tinha tido o futebol como seu esporte favorito. Essa é a Hoerskool Randburg, onde a seleção brasileira fará seus treinos durante todo o período em que estiver em Johannesburgo.

O colégio secundarista existe há 45 anos e tem 695 alunos entre 13 e 18 anos. A maioria, cerca de 70%, é de origem branca. Estatística que explica a preferência esmagadora pelo rúgbi no local.

A modalidade da bola oval, aliás, é a única costumeiramente praticada no campo da instituição. No entanto, desde dezembro, quando o supervisor da CBF Américo Faria achou a propriedade, as coisas mudaram.

O gramado castigado ganhou uma reforma completa paga pela Fifa (apesar de ainda ter muita terra por baixo da grama, está aceitável) e a infraestrutura do lugar também foi melhorada para receber os cerca de 400 jornalistas que seguem a seleção.

No entanto, só faltou fazer os estudantes, que ganharam folga ontem e só voltam às aulas na segunda-feira, gostarem do jogo mais popular do planeta.

"Temos alguns alunos que gostam de futebol. São fãs dos Pirates e dos Chiefs, mas o [esporte] preferido mesmo é o rúgbi", avisa o diretor Pieter Booysen, vestido com a camisa do Pretoria Bulls, equipe que decide hoje o Super 14, uma espécie de Libertadores da modalidade.

Apesar da bola que rolou no campo não ser a que preferiam, o di­­retor, professores, funcionários e alguns alunos privilegiados estavam ao redor do gramado tentando um autógrafo. Mas o problema era conhecer os jogadores e saber de quem uma assinatura valeria a pena.

Nessa hora, o meia Kaká era a única referência dos fãs mais desinformados. O craque do Real Madrid ganhou até um novo rival para a disputa de melhor do mundo de um aluno que mal o conhecia.

"Gosto do Kaká e acho que ele disputa com o Fernando Torres [es­­panhol, do Liverpool] para saber quem é o melhor do mundo. Mas o que sei de futebol é isso. Gosto mesmo é de rúgbi", admite o estudante Efiema Beyleveld, de 18 anos.

Já Elza Dutoit, professora de africâner (um dos 11 idiomas do país, mais utilizado pelos brancos) estava intrigada para saber quem era o tal de Kaká. A sul-africana vestia uma camisa da seleção brasileira e um casaco dos Bafana Bafana, mas pouco sabia do astro que estava a poucos metros dela.

"Já ouvi falar muito desse Kaká. Me mostre quem é ele que quero ganhar um autógrafo", pedia. Ao fim do treino, alguns professores mais chegados da direção da escola ganharam o direito de ficar entre a saída do campo e o ônibus do time. Elza conseguiu o autógrafo do "desconhecido" Kaká.

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