
A CBF oficializou ontem a contradição quanto à proteção usada nas costas pelo goleiro Júlio César. O camisa 1 da seleção brasileira utiliza uma espécie de cinta ortopédica que circunda todo o quadril e é presa por pequenas hastes de metal artigo inicialmente proibido pela Fifa.
Antes do segundo jogo brasileiro na Copa, contra a Costa do Marfim, o médico José Luiz Runco avisou que se a tipoia do atacante marfinense Drogba (ele quebrou o braço antes do Mundial) contivesse alguma parte metálica, ela não seria aceita.
O jogador do Chelsea enfrentou os brasileiros e o arqueiro da seleção canarinho já disputou três partidas da competição com o instrumento supostamente proibido. Para o departamento médico brasileiro, nada de anormal.
Segundo a assessoria de comunicação da CBF, que somente repassou a versão transmitida pelos médicos, existe apenas um "metalzinho" e quem pode vetar ou avalizar o instrumento são os árbitros.
"Isso aí não tem nada demais. O que importa é o que está dentro da proteção. O metal é só para prendê-la. O Júlio César já joga com isso há mais de dois anos", afirmou o diretor de comunicação Rodrigo Paiva.
A declaração dá ainda mais voz para as suspeitas de que o campeão europeu pela Inter de Milão possui um problema sério nas costas. No início da década, o jogador teria passado por uma cirurgia de hérnia de disco quando defendia o Flamengo. A versão é veementemente negada pelo atleta.
Após o empate por 0 a 0 com Portugal, na sexta-feira, quando o arqueiro se machucou em um choque com o português Raul Meireles (e o colete foi revelado no momento do atendimento), Runco disse que o arqueiro realmente tem um problema, mas não se trata da hérnia.
"Ele tem um problema antigo na coluna, que é uma protrusão (lesão na vértebra) e não hérnia. Ele faz isso (usar a proteção) já na Itália", disse o médico, na zona mista depois da partida diante dos lusos.
No entanto, a Fifa avalizou o material apesar do metal. Antes de cada jogo existe uma reunião em que nem todos os artigos utilizados pelos jogadores (desde o uniforme até as proteções médicas) são revelados.
Mesmo assim, ninguém sabe o motivo de tanta preocupação em esconder o cinto protetor depois do duelo com os portugueses. Após o apito final, o preparador de goleiros Wendel Ramalho rapidamente recolheu a cinta e enrolou no meio de uma blusa.



