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Brasil

Seleção cumpre protocolo da Fifa e visita favela

Ao ritmo infernal das vuvuzelas, o Soweto, principal foco de resistência à política de segregação racial, ferve para acompanhar a única atividade aberta da equipe de Dunga na África do Sul

Os jogadores do Brasil correm no gramado do Estádio Dobsonville, no Soweto, onde a equipe fez seu primeiro e único treino com presença de público antes do Mundial | Fotos: Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial
Os jogadores do Brasil correm no gramado do Estádio Dobsonville, no Soweto, onde a equipe fez seu primeiro e único treino com presença de público antes do Mundial (Foto: Fotos: Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial)
O ônibus do Brasil chega ao Soweto: equipe teve segurança reforçada no trajeto e no estádio para garantir a tranquilidade na visita à região mais pobre da África do Sul |

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O ônibus do Brasil chega ao Soweto: equipe teve segurança reforçada no trajeto e no estádio para garantir a tranquilidade na visita à região mais pobre da África do Sul

Famoso em todo o mundo por ter sido o foco principal de resistência ao apartheid, a política de segregação racial que durou 42 anos, o Soweto foi ontem notícia por outro motivo. A seleção brasileira escolheu a região mais populosa e pobre de Johannesburgo pa­­ra cumprir a exigência da Fifa e realizar seu único treino aberto aos torcedores antes da estreia na Copa.O ônibus que levou os pentacampeões foi cercado já do lado de fora do Estádio Dobsonville, que é público, mas recebe normalmente os jogos do Moroka Swallows, da Primeira Divisão sul-africana. Fo­­tos, acenos e muita alegria de quem não está acostumado a ver por perto craques do futebol internacional. As vuvuzelas (cornetas locais) fizeram barulho durante quase duas horas. Sem parar.

O esporte do Mundial é preferência absoluta na maior favela da África do Sul. Com isso, os cerca de 10 mil bilhetes distribuídos pela Fifa esgotaram-se rapidamente on­­tem pela manhã em escolas, repartições públicas e comunitárias.

Mesmo assim, nem metade das cadeiras estavam cheias. O horário comercial e a exigência de comprovante de residência no Soweto para entrar, deixaram muitos para fora. Nada de revolta. O dia era de alegria. "É o melhor time do mundo no Soweto. Nunca pensei que isso fosse acontecer. Já estou feliz só por vê-los passar", vibrava Tha­­bo Madisame, de 17 anos.

Lá dentro, o já tradicional som das buzinas ecoava. As cerca de 3 mil pessoas que entraram não precisavam nem de alambrado entre elas e o campo. So­­men­­te uma fita e uma barreira de seguranças em pé servia de obstáculo. Ninguém tentou invadir.

"Nós entendemos que o time está se preparando e precisa de tranquilidade. Sabemos até onde podemos ir", admitiu Nontsikeke­­lo Xabana, acompanhada pela mãe na arquibancada.

Os cantos e danças também não faltaram, apesar de, no gramado, as atividades darem prioridade à parte física. No fim, houve um trabalho especial em campo reduzido. "Tenho certeza de que para os jogadores também foi especial. O Soweto é o local mais conhecido do país no exterior", comentou Lau­­rewce Raboshaga, morador da re­­gião e voluntário da Fifa.

Dois grandes momentos ocorreram dentro do gramado. Antes de o treino começar, o técnico Dun­­ga recebeu dois garotinhos do So­­weto, posou para fotos ao lado deles e entregou-lhes kits da CBF e bandeiras do Brasil. Viraram personalidades entre os amigos.

Perto do fim do treinamento, Kaká bateu bola com um gandula, também morador local, e o cumprimentou com um aperto de mão. "Gostamos muito de sentir esse calor humano. Hoje a seleção não é fechada, mas é mais focada no trabalho. Peço desculpas mais uma vez ao torcedor, precisamos dessa privacidade", disse Dunga, recordando as críticas ao clima de algazarra na preparação para a Copa da Alemanha, em 2006.

Policiamento reforçado para o time de Dunga

Policiais por todos os lados, pouca informação e até um helicóptero fazendo a escolta da seleção brasileira no Soweto. Dentro da comunidade mais pobre – e uma das mais violentas – da Áfri­­ca do Sul, o time de Dunga foi tratado como um alvo em potencial.

A delegação ficou apenas duas horas na favela, mas já foi o suficiente para mobilizar um exército. Na porta do estádio, ou a pessoa entrava, ou saía. Não era permitido aos jornalistas ficar na arquibancada entrevistando torcedores.Quando o ônibus aproximou-se da massa próxima ao portão, alguns homens a pé também foram correndo e fechando o cerco.

"Não posso dizer quantos policiais estão trabalhando e nem como foi planejada a operação, Não posso te dar informação alguma", justificou-se um oficial da Fifa, com crachá e bótons da entidade, mas que também não quis se identificar.

Em treinos normais, na escola particular (de predomínio dos brancos) onde o time trabalha, a Hoerskool Randburg, os brasileiros são tratados como pouco visados. No grupo, com campo de golfe, os fãs raramente interagem com o time de Dunga .

Aspecto físico é a principal "neura" antes do MundialA dosagem da carga de trabalho é o principal desafio da comissão técnica brasileira para que o time chegue 100% na Copa. Nem todos os jogadores têm a exigência de fazer as seções de exercícios de maneira completa e de participar de todas as atividades.

As situações do goleiro Júlio César, do zagueiro Juan e do meia Kaká são as que mais preocupam. O camisa 10 participou de apenas 45 minutos do amistoso contra o Zimbábue, na quarta-feira; o defensor nem jogou e o arqueiro deixou a partida após 25 minutos com dores lombares.

Ontem, Júlio César ficou fazendo tratamento específico com o fisioterapeuta Luiz Rosan. Já Kaká e Juan treinaram.

"A comissão técnica é experiente, conversamos e tentamos dar a dosagem certa", disse o técnico Dunga. "Essa pancada que o Júlio sofreu não é nada demais. Estará bem em uns três dias", opinou.

Kaká sofreu lesão na coxa esquerda antes do fim da temporada europeia e Juan – que já ficou fora da Copa das Con­­federações por contusão, no ano passado – sentiu desconforto na perna esquerda e preferiu não arriscar frente aos zimbabuanos.

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