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Infraestrutura

Sul-africanos correm para evitar vexame

A duas semanas do início da competição, país-sede mostra várias deficiências na organização. Mobilidade urbana é uma delas

Caos no trânsito, com desrespeito às normas de segurança: caronas se acomodam na carroceria dos carros em Johannesburgo | Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial
Caos no trânsito, com desrespeito às normas de segurança: caronas se acomodam na carroceria dos carros em Johannesburgo (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial)

Johannesburgo - Faltando 14 dias para o início da Copa do Mundo, a África do Sul corre contra o tempo para não pro­­tagonizar um vexame de falta de organização na maior competição de futebol do planeta.

Obras atrasadas ou entregues inacabadas, que só alimentam um trânsito já caótico, aumentam as preocupações. Este será o primeiro evento da Fifa em um país em desenvolvimento desde o torneio do México, em 1986.

Apesar dos sul-africanos serem extremamente solícitos, alegres e de estarem fazendo o clima de Mun­­dial invadir as ruas com bandeiras e camisas, a desorganização é nítida.

Ao sair do moderno aeroporto de Johannesburgo, o turista logo se depara com uma autoestrada de tráfego pesado. As largas avenidas são a ligação preferida dos ha­­bitantes da cidade. O problema é que o transporte público quase não existe. Assim, vans superlotadas (aqui chamadas de táxis) aparecem de todos os lados e congestionam tudo.

No ano passado, uma rara li­­nha de ônibus foi criada com inspiração nos biarticu­­la­­dos curitibanos. Funcionando em um trecho restrito, a opção nem é conhecida da maioria dos habitantes.

O metrô, promessa para o Mun­­dial, será entregue só dois dias antes da abertura e vai ligar apenas o novo Estádio Soccer City ao bairro rico de Sundtown. Bem me­­nos cobertura do que a prevista inicialmente.

Na maior cidade sul-africana, nem mesmo o sistema de energia elétrica está livre do caos. O governo federal solicitou à população que deixe somente uma lâmpada e uma televisão ligados durante a noite. Ontem, às 22 horas, alguns bairros residenciais teriam o fornecimento cortado para atender a supostos "ajustes de emergência". Porém, em cima da hora, o desligamento não ocorreu.

O temor é pelo fracasso também nos estádios. Com exceção dos jogos dos donos da casa e das grandes seleções, ainda há muitos lugares vagos. Ontem, a Fifa falou em 160 mil ingressos não ven­­didos. Há partidas, inclusive, que terão mais cadeiras vagas do que preenchidas a partir do dia 11 de junho.

"A meta é atingir 97% ou 98% de vendas (do total de 2,88 mi­­lhões de bilhetes), o que corresponde a níveis da Copa da Ale­­ma­nha", disse Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa. A maior parte dos ingressos disponíveis estava em po­­der de parceiros da entidade e foi devolvida. Há 4.423 bilhetes para a abertura e 861 para a decisão.

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