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Fase final

Travessão paraguaio

Depois do 0 a 0, Japão desperdiça pênalti e garante a melhor campanha da equipe sul-americana na competição

Komano, do Japão, cobra pênalti no travessão paraguaio: o erro garantiria pouco depois a seleção sul-americana pela primeira vez nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Próximo adversário será a Espanha | Toru Hanai/ Reuters
Komano, do Japão, cobra pênalti no travessão paraguaio: o erro garantiria pouco depois a seleção sul-americana pela primeira vez nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Próximo adversário será a Espanha (Foto: Toru Hanai/ Reuters)
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Confira a ficha técnica do jogo Japão x Paraguai |

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Confira a ficha técnica do jogo Japão x Paraguai

O jogo valia uma classificação nunca antes obtida por paraguaios e japoneses em Copas. Quem vencesse ultrapassaria pela primeira vez a fronteira das oitavas para as quartas de final. Mas ninguém ba­­lançou a rede. Nem no tempo normal e nem na prorrogação. Cas­­tigados pela falta de emoção du­­rante mais de 120 minutos, tiveram uma dose concentrada de adrenalina na decisão por pênaltis. Só então os sul-americanos pu­­deram comemorar.

"Foi difícil, porque o Japão tem bons jogadores. Controlamos a bola como queríamos e conseguimos não levar gol, apesar de nos ter faltado profundidade. Nos pênaltis, tivemos ajuda da sorte. Dedica­­mos esta vitória a todo o Paraguai, foi uma classificação histórica", comemorou o atacante Cardozo, que havia entrado na prorrogação e teve a responsabilidade de bater o último pênalti.

Um estado de espírito completamente inverso era experimentado pelo lateral-direito japonês Komano. Ele mandou no travessão a terceira cobrança japonesa, única errada em toda a disputa. In­­consolável, teve de ser apoiado na saída de campo.

Ele e vários companheiros choraram. Mas vieram lágrimas até do lado vencedor. O técnico argentino Gerardo "Tata" Martino não se se­­gurou. "Estava muito tenso. Foi uma partida muito difícil. Na hora que acabou, chorei mesmo. É uma forma de desabafar. Passam tantas coisas na cabeça... Por que não fazê-lo?", disse.

Martino exaltou mais o esforço dos jogadores do que a apresentação. "Foi um jogo muito fechado, apesar de termos sido um pouco melhores. Mostramos mais coração que futebol e, para uma partida deste tipo, é suficiente. Para outras, é preciso jogar mais. Em todo caso, isso não desmerece o fato de estarmos entre os oito melhores do mundo", discursou.

Outro argentino, o atacante Lucas Barrios, naturalizado paraguaio para disputar a Copa, também ressaltou o feito histórico. "É uma felicidade poder fazer história com esse grupo. A seleção está muito bem, bastante unida e sei que podemos chegar mais longe."

A melhor campanha do país havia sido a eliminação nas oitavas de final da Copa de 1998. Na ocasião, a fortíssima defesa de Chila­­vert, Arce e Gamarra só caiu na prorrogação com um gol do francês Blanc – na época, o sistema no tempo extra previa a morte súbita.

Do outro lado, o técnico Takeshi Okada exaltou a campanha. Po­­rém assumiu a responsabilidade pe­­lo time ter atacado pouco on­­tem. "Sinto que deveríamos ter fei­­to mais. Honda jogou muito isolado e reconheço a culpa por isso. Para ganhar, é preciso fazer gols."

O zagueiro brasileiro Túlio Tanaka deixa o Mundial feliz com a decisão de ter se naturalizado. "Tenho muito orgulho de ser japonês e ter feito parte desta campanha. Este time entrou para a história do país e provou como é guerreiro. Devagar, vamos melhorando nossa posição no futebol mundial."

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