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Grupo A

Zizou rejeita participação na revolução francesa

Ex-astro da seleção, Zinedine Zidane nega ter orquestrado a grave crise de relacionamento que devastou a equipe na África do Sul

“Nunca tive problemas com Domenech, sempre respeitei seu papel de treinador. Sou um grande apaixonado pela seleção francesa. Atualmente estou fora e não falo com nenhum dos jogadores.” Zidane, sobre seu papel na crise da seleção da França | Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial
“Nunca tive problemas com Domenech, sempre respeitei seu papel de treinador. Sou um grande apaixonado pela seleção francesa. Atualmente estou fora e não falo com nenhum dos jogadores.” Zidane, sobre seu papel na crise da seleção da França (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo – enviado especial)
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Zinedine Zidane pensou que havia sido chamado apenas para outro evento promocional do patrocinador, algo tão comum quanto a assistir a uma partida de futebol pela tevê na vida de um craque aposentado. O algoz do Brasil na final do Mun­­dial de 1998, porém, arregalou os olhos e coçou a cabeça calva quando viu o batalhão de jornalistas à sua espera no Jo’bulani Central, um dos auditórios do Centro de Convenções de Sandton, a região chique de Johannesburgo.

Espanhóis, brasileiros, hondurenhos e um sem-número de franceses se acotovelaram para ouvir Zizou falar. O ambiente, idealizado para exaltar o projeto de inclusão social da Adidas na África do Sul, ficou tenso por vários momentos. O ex-camisa 10 dos Bleus foi instado a falar da crise que assola a França na Copa.

Com apenas um ponto no grupo A, o time tenta controlar o choque de egos dentro do elenco para seguir vivo no torneio Fifa. As diferenças vieram à tona após o corte do atacante Anelka, expulso do grupo por ter xingado o técnico Raymond Dome­­nech no intervalo da derrota por 2 a 0 para o México – revés que obrigou o país a torcer por uma combinação de resultados na rodada de hoje (enfrenta a África do Sul às 11 horas de Brasília).

E aí entra Zidane. A imprensa europeia especulou no fim de semana que o ex-capitão estaria por trás do golpe. Usaria a "revolução francesa" para fazer do ex-companheiro Laurent Blanc, também da geração campeã do mundo, o novo treinador – a Federação local já confirmou o ex-zagueiro no cargo.

Zizou se aborreceu com o interrogatório. Chegou a ser ríspido com uma jornalista espanhola que lhe perguntou se sabia quem era o traidor dentro do grupo francês. "Você sabe? Eu também não. Sei tanto quanto você", disse. Uma corrente dentro da onda de especulações que tomou conta dos Bleus aponta o preparador físico Robert Duverne, pivô de uma discussão ferrenha com o lateral Evra, como o nome procurado pela repórter.

Zidane seguiu se defendendo, negando qualquer participação na teoria conspiratória. "Para que fique bem claro: quando fui jogador jamais opinei sobre a formação da equipe. Nunca tive problemas com Domenech, sempre respeitei seu papel de treinador. Dizem muitas coisas sobre isso, mas o certo é que sou um grande apaixonado pela seleção francesa. Vivi momentos muito bonitos com essa camiseta. Atualmente estou fora da equipe e não falo com nenhum dos jogadores", ressaltou.

Experiente e hábil com as palavras, o ex-jogador foi conduzindo a conversa para um tom mais ameno. Segue esperançoso de que o país consiga a improvável reviravolta dentro da Copa – além de bater os donos casa por uma boa diferença de gols, precisa torcer para que haja vencedor no confronto entre mexicanos e uruguaios. "[A partida contra a África do Sul] É muito importante. Se a França vencer e passar de fase, fica tudo muito bem, como sempre. Mas se perder, o novo técnico chega para mudar tudo. É assim", afirmou Zizou, descartando qualquer possibilidade de virar técnico. Só para não ter de passar pela mesma crise que agora perturba Domenech.

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