Se o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, já não tem a simpatia do governo brasileiro por causa de declarações recentes sobre o andamento das obras para a Copa do Mundo de 2014, agora ele também arrumou inimizades com o setor de hotelaria fora do eixo Rio-São Paulo.
Segundo o representante da entidade máxima do futebol, os turistas que vierem ao Brasil para o Mundial devem se ater às duas maiores cidades do país por causa da disponibilidade de leitos. Para partidas em outros centros, o ideal, segundo o cartola, seria viajar e retornar no mesmo dia, o popular bate e volta.
"Ele está falando sem conhecimento de causa", assegura o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares e Similares de Curitiba (Sindotel), Marco Antônio Fatuch. "Tem gente que perde a chance de ficar quieto. Isso é coisa que não se fala", alfineta o presidente da consultoria HotelInvest, Diogo Canteras.
De acordo com números da HotelInvest, o setor hoteleiro de Curitiba não tem motivos para preocupação em relação ao assunto. Atualmente, a capital paranaense mantém 7,2 mil quartos de hotéis o que representa mais de 14 mil vagas para os visitantes. Se a estimativa considerar os estabelecimentos não classificados albergues, pousadas, pensões , a disponibilidade sobe para 19,5 mil.
"Isso é quase o dobro do recomendado pela Fifa. Proporcionalmente, Curitiba é uma das melhores do país em termos de acomodação", crava Fatuch, que condiciona o número de visitantes na cidade à representatividade das seleções que desembarcarem na capital, o que só será anunciado após a disputa das Eliminatórias e o sorteio dos grupos para o Mundial.
"Dizer hoje que Curitiba vai receber 20 mil pessoas por jogo [estimativa do Ministério do Turismo] é uma temeridade", fecha Canteras, que diz acreditar em uma procura menor de estrangeiros durante o evento da Fifa.



