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Final

Argentina chega à decisão com espírito de ser mais que um time: um país

Nos braços do povo, que toma conta do Rio de Janeiro, e liderada pelo craque Lionel Messi, Argentina quer acabar com jejum de quase três décadas sem título mundial

Recuperando-se de lesão na coxa direita, Di María ainda será avaliado antes de ter sua escalação confirmada | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Recuperando-se de lesão na coxa direita, Di María ainda será avaliado antes de ter sua escalação confirmada (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Chegou o dia que os argentinos aguardam há 28 anos. A seleção albiceleste decide hoje, às 16 horas, no Maracanã, o título da Copa do Mundo diante da Alemanha. O adversário é o mesmo da final de 1986, quando os hermanos venceram e desfrutaram o último momento de glória em Mundiais. A partir daí, um longo jejum. "Não somos só uma equipe, somos um país", postou o experiente zagueiro Demichelis em seu Twitter, ciente de que o jogo está muito além do embate entre os 22 jogadores que estarão em campo.

A relação entre torcida e seleção sempre foi próxima na Argentina. O fanatismo demonstrado nos clubes é transferido para a equipe nacional. O sentimento se fortaleceu em uma Copa disputada perto de casa. As cidades brasileiras em que o time jogou foram tomadas pelos hinchas. Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, São Paulo... Todas foram lar provisório para muitos que nem tinham onde dormir.

A empolgação compensou a falta de conforto. A Fifa informou, ontem, que foram comercializados 4.461 ingressos a argentinos para a decisão. Na cidade, no entanto, estima-se a presença de 70 mil. A grande maioria não vai conseguir acompanhar o jogo no Maracanã. Não importa. O essencial é demonstrar apoio, mesmo que seja longe das arquibancadas do palco da final.

Os atletas sabem o que está em jogo e por quem estão jogando. "Queremos realizar esse sonho de todos os argentinos. Será muito bom poder levar a taça para o povo", declarou o zagueiro Basanta. "Vamos lutar por mais. Todos seguem juntos por um mesmo sonho", disse o atacante Sergio Agüero.

Em 1986, Maradona liderou a Argentina e foi o responsável por levantar a taça. O papel agora é de Lionel Messi. O camisa 10, que há alguns anos chegou a ser questionado pela relação distante com o país, hoje é adorado. É o principal símbolo e esperança da torcida.

"Chegamos até a final pelo sacrifício de todo o plantel e pelo nosso povo, que nos carregou até aqui. Mas o sonho não acabou. Queremos ganhar e estamos preparados para isso", escreveu o craque, ontem, em seu Facebook.

Voltar a conquistar uma Copa do Mundo e na casa do rival Brasil: o roteiro perfeito está desenhado. Falta os jogadores consolidarem em campo.

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