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Final

Bases de Alemanha e Argentina dão recado para o futebol brasileiro

É bom os responsáveis pela seleção brasileira olharem com atenção a final da Copa do Mundo hoje no Maracanã. E, especialmente, os motivos que levaram Alemanha e Argentina até ela. São duas apostas claras nas categorias de base

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A final em que a seleção brasileira sonhava estar oferece várias lições para a reconstrução do futebol nacional. Alemanha e Argentina decidem hoje, às 16 horas, no Maracanã, a Copa do Mundo de 2014 sustentadas por um forte trabalho de formação de jogadores, base para o Brasil voltar a ter um time à altura dos cinco títulos mundiais que carrega na camisa.

INFOGRÁFICO: Confira as escalações de Alemanha e Argentina e o pitaco tático para a partida

INFOGRÁFICO: Confira o duelo tático e técnico entre os jogadores de Alemanha e Argentina

Pela primeira vez em uma final após 24 anos, a Argentina joga pelo tricampeonato com uma geração cuidadosamente formada, campeã em todas as categorias de base. Resultado do projeto apresentado por José Pekerman à Associação Argentina de Futebol (AFA), em 1995. O trabalho coordenado em todas as categorias levou o país a quatro títulos mundiais sub-20 e dois ouros olímpicos.

Maxí Rodríguez fez a dobradinha Argentina-2001 (sub-20) e Atenas-2004 (Olimpíada). Zabaleta, Garay, Messi e Agüero ganharam Holanda-2005 (sub-20) e Pequim-2008 (Olimpíada). Gago, Paletta, Lavezzi, Di María e Romero estiveram em uma dessas quatro conquistas. Mascherano ganhou dois ouros olímpicos e também participou de outra parte importante do projeto.

Em 2002, El Jefecito teve sua primeira experiência em Mundiais. Era um dos sparrings da equipe de Marcelo Bielsa. Um grupo de garotos de 17 e 18 anos levados para reproduzir nos treinos o estilo de jogo dos adversários e viver a atmosfera de uma Copa. A eliminação na fase de grupos criou uma das cicatrizes que fez Mascherano, um dos líderes do elenco atual, dizer que estava "cansado de comer merda" antes da quarta de final contra a Bélgica.

No Brasil, são 16 spar­rings. O mais ilustre é o atacante Giovanni, filho de Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid. Augusto Batalla (goleiro), Rodrigo Moreira (zagueiro), Tomás Martínez (meia) e Juan Kaprof (atacante) são outros nomes prováveis em futuros mundiais.

Do lado alemão, a reconstrução partiu de um vexame quase tão doloroso quanto o brasileiro. A Nationalef deixou a Euro-2000 na primeira fase, sem uma vitória sequer. Era um time envelhecido, pinçado de uma liga nacional repleta de estrangeiros caros e clubes em dificuldades financeiras.

A Federação Alemã deu início a um projeto de longo prazo. Impôs aos clubes limites nos gastos e forçou investimento na base, com cotas para garotos da casa no elenco e os times maiores co-financiando o desenvolvimento dos maiores.

A própria entidade fez sua parte, ao iniciar a construção de centros de treinamento pelo país. Hoje são 366 espalhados pela Alemanha, com mil técnicos empregados (a maioria com formação B, a segunda maior da Uefa) e 25 mil garotos trabalhados. A Bundesliga tornou-se a liga mais rentável do planeta e a seleção nacional chega para disputar o título mundial com jovens como Thomas Müller, Toni Kroos, André Schürrle e Mario Götze, todos filhos do projeto que consumiu US$ 1 bilhão em investimento.

"Se ajudamos os clubes a descobrir jogadores, ajudamos a nós mesmos, porque os jogadores das seleções nacionais vêm dos clubes. Somos 80 milhões de alemães e penso que até 2000 ninguém falava de nós como um time com muito talento. Agora, todos falam isso", diz Robin Dutt, diretor-geral da Federação Alemã de Futebol, resumindo o sucesso de um modelo que, assim como o argentino, pode indicar o caminho de volta ao topo para a seleção brasileira.

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