
"A Arena da Baixada fica pronta até o dia 30 de novembro." A data foi anunciada ontem pelos secretários Copa 2014, Mario Celso Cunha (estadual) e Reginaldo Cordeiro (municipal), durante a visita da comitiva de membros da Fifa e do Comitê Organizador Local (COL) a Curitiba.
Festejado por estar 31 dias adiantado em relação à data-limite estipulado pela Fifa para a entrega dos estádios (fim de dezembro), o prazo, porém, será quatro meses após o cronograma inicial. No balanço do governo federal ainda consta que o Joaquim Américo estará pronto em julho.
A nova data prevê em dez meses um ritmo de trabalho bem mais intenso. Restam 44,18% da edificação.Foram necessários, por exemplo, um ano e três meses para concluir os 55,82% do projeto, conforme relatório divulgado pela CAP/SA, entidade responsável pela gestão da obra.
O canteiro de obras foi oficialmente aberto em evento no dia 4 de outubro de 2011.
Conspira contra a promessa dos secretários o quarto balanço do governo federal sobre o andamento dos trabalhos nas 12 subsedes, publicado em dezembro. Segundo o documento, as construções em Curitiba só não evoluíram em ritmo mais lento do que na Arena Amazônica, em Manaus.
Em novembro, a previsão era de que 73,5% da estrutura curitibana estivesse terminada, mas apenas 55,1% havia sido entregue. No estádio amazonense, 50,1% da construção estava concluída, quando o esperado era 76,7%.
Mais da metade dos trabalhos programados para o Joaquim Américo (55%) são de novas instalações. Destas, até agora, foram concluídas 26,21%. "Chegando a 30%, pode ser liberada a segunda parte do financiamento [do BNDES]", destacou Mario Celso Cunha.
Ontem, durante a visita da comitiva, o arquiteto do projeto da Arena, Carlos Arcos, apresentou o cronograma de trabalho. "Há algumas situações que aparentemente seriam críticas, mas já estão contratadas e acertadas", afirmou Reginaldo Cordeiro.
Tais pontos críticos, explicou, são as estruturas para o suporte da cobertura retrátil do estádio. "Uma vez instaladas, teremos vários avanços em várias frentes no canteiro de obras", completou.
Pelo menos um ponto do projeto está sendo revisto. "Como a Fifa pede que não haja estacionamentos subterrâneos, o Ippuc [Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba] está tentando viabilizar outras opções", afirmou Cunha. Uma das possibilidades é utilizar locais já construídos da região, como o estacionamento da Unicuritiba.
Esta não é a primeira vez que a data de finalização das construções na Arena passa por alteração. Na Matriz de Responsabilidades, o prazo inicial de entrega era dezembro de 2012. Depois, propagou-se que seria em março deste ano, para coincidir com o mês de fundação do clube. Foi postergado, então, para junho, quando o estádio faz aniversário. Em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado em novembro, já constava o mês de agosto como o da reinauguração.
Segundo reportagem publicada ontem na Gazeta do Povo, empreiteiras que trabalham na Baixada apontaram atrasos no pagamento. Caso a situação não se regularize, ameaçaram tirar equipamentos e funcionários do local.
Grupo discute estruturas temporárias
A nova data para a entrega da Arena (30 de novembro) foi anunciada ontem durante a visita da comitiva do Comitê Organizador Local (COL) da Copa 2014 e membros da Fifa, com 40 representantes de 16 áreas. O foco principal do encontro foi discutir o andamento de obras estruturais que não serão permanentes, tais como os locais para imprensa no estádio, a área de convivência na Praça Afonso Botelho, a estrutura projetada no Parque Barigui para o Fun Fest (local de encontro de torcedores para assistir aos jogos do torneio em telões), e logística de sistemas de tecnologia da informação, segurança e mobilidade durante a Copa.
Em visita relâmpago à Arena (que não durou uma hora), o chefe do escritório da Copa do Mundo Fifa 2014, Chris Hunger, afirmou que não poderia fazer um comparativo do progresso das obras. "Evitamos fazer comparações entre estádios. Comparamos apenas a evolução de uma mesma obra. No momento, é um pouco difícil falar do progresso porque não vimos o que aconteceu nos últimos três meses", afirmou.
Antes do início do Mundial, ele virá mais duas vezes à cidade, sendo a próxima em setembro. Após a passagem pelo estádio, o grupo foi verificar as ações e obras de mobilidade. A delegação seguiu para Porto Alegre, onde hoje visita o Beira-Rio. O ciclo fecha amanhã com o Estádio das Dunas, em Natal. São Paulo, Cuiabá e Manaus foram as primeiras paradas.



