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Economia

Efeito colateral

Curitiba calcula quanto deixará de ganhar com ausência na Copa das Confederações e participação curta (11 dias apenas) no Mundial da Fifa

Secretário municipal para Assuntos da Copa, Luiz de Carvalho. | Hedeson Alves / Gazeta do Povo
Secretário municipal para Assuntos da Copa, Luiz de Carvalho. (Foto: Hedeson Alves / Gazeta do Povo)
Presidente da Fifa, Joseph Blatter, espera que o governo brasileiro acelere as obras de infraestrutura e reveja a Lei Geral da Copa. Entidade aponta atrasos na preparação do Mundial 2014 |

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Presidente da Fifa, Joseph Blatter, espera que o governo brasileiro acelere as obras de infraestrutura e reveja a Lei Geral da Copa. Entidade aponta atrasos na preparação do Mundial 2014

No dia seguinte à divulgação do calendário da Copa do Mundo de 2014, as calculadoras começaram a trabalhar em Curitiba. Fora da Copa das Confederações em 2013 e com participação reduzida no Mundial do ano seguinte, a cidade tenta transformar em números o impacto financeiro da derrota na elaboração da tabela.

Pela complexidade dos cálculos, o levantamento vai demorar a ser consolidado, mas é possível antecipar que boa parte da receita prevista já virou poeira.

"Do ponto de vista econômico, o reflexo é negativo. Não vamos nos iludir. A perda é importante e difícil de mensurar", desabafou o secretário municipal para As­­suntos da Copa, Luiz de Carvalho. Ele prevê ter em mãos uma estimativa mais palpável em dez dias.

A ausência em 2013 será a primeira grande ferida na economia local, cuja cicatrização não estará finalizada até o principal evento da Fifa. "Deixaremos de receber vários turistas em uma competição que terá um país vizinho, o Uruguai [com a vaga garantida por ser campeão da Copa América]. Além disso, a cidade perde um ano de exposição estando fora da Copa das Confe­­derações. É um torneio mais tímido, mas importante, com transmissão para o mundo inteiro e que pode atrair visitantes para 2014", complementou Carvalho.

A hotelaria, por exemplo, será diretamente afetada. O evento-teste estava nos planos do setor. Segundo o presidente da Associa­ção Brasileira da Indústria de Ho­­téis no Paraná (ABIH-PR), Henrique Lenz César Filho, já estavam sendo feitos investimentos em capacitação, reforma e ampliação dos estabelecimentos para 2013. Esforço que não se vê na prática, pois o nú­­mero de leitos ainda é insuficiente para os dias mais movimentados.

"Um encontro dos donos de hotéis na próxima terça-feira, com a presença de representantes da área da Fifa, servirá de termômetro. Vou escutar lamúrias, choro, com certeza", afirmou César Filho. "O baque foi enorme", ressaltou. Durante a reunião, há a intenção de se rever os contratos assinados com a entidade internacional em 2009 para diminuir possíveis prejuízos. Pelo acordo, 60% dos quartos seriam reservados para a Fifa, sem garantia de serem ocupados.

"Tínhamos a previsão de 20 dias de Copa do Mundo em Curi­tiba, com oitavas ou quartas de final. Serão 11, quase metade. O cenário mudou", explicou o dirigente da ABIH. O medo é tão grande que se estuda abrir espaço para a realização de congressos para o período do Mundial, o que inicialmente havia sido vetado.

A única voz destoante em relação ao impacto do calendário para Curitiba é a do secretário estadual para Assuntos da Copa, Mario Cel­so Cunha. Para ele, a fa­­ma da cidade no exterior deve atrair visitantes que vierem acompanhar partidas em outras subsedes e compensar a baixa participação nos jogos. "Se tivermos perdas, serão mínimas. Quem vem para a Copa vai circular pelo país. E Curitiba tem apelo."

O otimismo tem certo respaldo. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) com turistas na Copa da África do Sul, em 2010, mostra que 83% dos visitantes fazem o turismo chamado "adicional". O levantamento informa ainda que 46% dos estrangeiros passam por três ou quatro cidades e gastam em média R$ 11 mil – quase R$ 4 mil por sede visitada.

Esse dado, porém, traz de volta a lamentação. Mostra que não ter mais um jogo, nas oitavas, como planejado, custará caro à economia local. Tendo 60% do estádio ocupado por forasteiros, a receita gerada seria em torno de R$ 100 milhões. Sem depender da boa vontade de turistas acidentais.

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