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Reunião

Dilma fecha a porta para Marín

Agência Estado

O dirigente da Fifa, Joseph Blatter, e a presidente Dilma Rousseff vão ignorar a estrutura de poder deixada pelo ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira na reunião marcada para amanhã em Brasília. Ontem, a Fifa anunciou que o encontro terá a participação de Pelé, embaixador honorário do Mundial. Mas o novo presidente da CBF, José Maria Marín, não foi convidado para o encontro que ocorrerá no Palácio do Planalto. Nem Ronaldo e Bebeto, conselheiros do Comitê Organizador Local da Copa (COL).

A ida de Pelé ao encontro atende a uma vontade do governo federal, que na última terça encarregou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de convidá-lo. Rebelo também estará na reunião. Em janeiro, Pelé chegou a viajar até Zurique, se reuniu com Blatter e foi homenageado em uma festa de gala. Foram sinais dados pelo cartola suíço de que aceitaria trabalhar com o Rei do Futebol.

Ontem, em nota, Blatter voltou a elogiar Pelé. "Estou muito satisfeito que o legendário Pelé se juntará a nós para este encontro tão importante", disse.

A manobra de Blatter e de Dilma não apenas tira a CBF do cenário, como escancara o fato de que a Fifa e o governo estão dispostos a construir um canal de comunicação direto.

Líderes da base aliada fizeram um acordo para retirar do texto da Lei Geral da Copa a possibilidade da venda de bebidas alcoólicas durante os jogos do Mundial (2014) e da Copa das Confederações (2013). A mu­­dança agrava a tensa relação entre o país e a Fifa.

Amanhã, Dilma Rousseff receberá o presidente da entidade, Joseph Blatter, em Brasí­­lia, sem ter a norma aprovada e ainda sob a efervescência do debate sobre a negociação do produto nas praças esportivas. A entidade quer a liberação por ter uma cervejaria entre seus patrocinadores.

Segundo o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP), o recuo foi feito pois havia um "risco concreto de o governo sair derrotado". Como o Congresso vive um clima de tensão após a troca de seus principais líderes, o Palácio do Planalto não quer arcar com um revés desse porte agora.

Com isso, o texto que deve ser votado na semana que vem retoma proposta original enviada pelo governo. Este mantém o artigo do Estatuto do Torcedor que veda a comercialização de álcool em jogos de futebol – uma orientação trazida pela CBF e com o aval do Ministério Público. Traz a norma que é uma condição de "acesso e permanência" nos estádios "não portar bebidas ou substâncias suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência."

Pelo entendimento de Vicente Cândido e do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a nova redação abre a possibilidade de a Fifa negociar a venda de cerveja individualmente com cada estado. Segundo eles, a possibilidade da propaganda das fabricantes também permanece.

Chinaglia, porém, admite que a mudança pode gerar problemas com a entidade. "A Fifa vai achar ruim, mas acho que não vai ter uma atitude fora do razoável", disse.

Vicente Cândido afirma que foi "induzido ao erro" ao colocar, em seu relatório, a permissão da venda de bebidas, e que agora cabe ao governo se entender com a Fifa. Mas não escondeu o impacto da mudança. "Eu estou surpreso e o Aldo Rebelo [ministro do Esporte] também."

O recuo agrada a bancada evangélica do Congresso, que tem potencial para causar uma derrota ao governo. Após o acordo fechado entre os líderes da base, a votação da Lei Geral da Copa deve ocorrer na semana que vem.

Pela versão aprovada, os estudantes terão meia-entrada somente na categoria 4 de ingressos, na "cota social". O benefício valerá também para integrantes do Bolsa Família e o preço final deverá sair a US$ 25 (cerca de R$ 45), com venda por meio de sorteios. Ao contrário dos estudantes, os idosos terão o desconto em todas as categorias, que inclui ingresso de até US$ 900.

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