
Os principais responsáveis pela organização da Copa decidiram adotar um discurso otimista ontem. Até o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, preferiu deixar de lado o tom crítico e fez somente elogios ao evento. A presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o chefe do Comitê Organizador Local da Copa (COL), Ricardo Trade, e o ex-atacante Ronaldo mantiveram a agenda positiva.
O fim da discussão em público faz parte da estratégia dos organizadores para evitar maiores arranhões na imagem do evento no exterior. Na quarta-feira, o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, admitiu que "há dúvidas dos patrocinadores do Mundial sobre o impacto das manifestações populares durante o evento, mas que nenhuma das empresas desistiu de trazer os seus convidados ao país no período.
A presidente Dilma Rousseff foi a primeira a celebrar a Copa. Em entrevistas a rádios do Pará, ela afirmou que o governo fez sua parte e que as obras estão prontas. "Nós fazemos a nossa parte. Os estádios estão prontos, os aeroportos estão prontos. Eu não tenho dúvida de que, tanto fora de campo como dentro de campo, nós vamos mostrar a força do nosso país", disse.
Em seguida, a Presidência alterou a frase dita por Dilma. Em mensagem divulgada no Twitter do "blog do Planalto, canal oficial da Presidência na rede social, trocou "fazemos a nossa parte" por "faremos a nossa parte", e omitiu os verbos que Dilma Rousseff usou para dizer que as obras estão prontas.
Matéria publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira, a 50 dias do início da Copa, mostrou que alguns aeroportos deixaram obras mais ambiciosas para seus terminais para depois da Copa. E ainda há estádios, como o Itaquerão, em São Paulo, que não realizaram jogos para serem testados para a competição.
Crítico da lentidão dos brasileiros dentro da Fifa, o secretário-geral da entidade foi um dos mais empolgados ontem com a Copa. Três dias depois de declarar que o país não tinha nenhum segundo a perder, o francês declarou que vai brindar com "caipirinha" e "champanhe" o sucesso do Mundial.
"Existe o atraso, mas afirmar que nada foi cumprido não é verdade. Tudo o que foi acordado está aí", afirmou Valcke, que deixou o país ontem e só volta ao Brasil na segunda quinzena de maio para ficar até o fim do Mundial.



