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Justiça

Justiça interdita obras na Arena da Baixada

Juíza do trabalho acatou nesta terça-feira pedido de paralisação das obras feito pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná. Relatório aponta diversos riscos aos operários

Fiscalização do Ministério Público do Trabalho apontou riscos aos funcionários que trabalham na Arena | André Rodrigues / Gazeta do Povo
Fiscalização do Ministério Público do Trabalho apontou riscos aos funcionários que trabalham na Arena (Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo)

A Justiça embargou nesta terça-feira (1/10) as obras de reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014. A juíza do Trabalho Lorena de Mello Rezende Colnago, acatou o pedido de interdição feito pela procuradoria do Ministério Público do Trabalho do Paraná. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) aponta diversos autos de infração em várias fases da obra e também considera graves riscos aos cerca de 900 operários: soterramento de trabalhadores, atropelamentos e colisões, quedas de altura e projeção de materiais, problemas destacados pelo relatório finalizado na sexta-feira (27/9) pelo Grupo Móvel de Auditoria de Condições de Trabalho em Obras de Infraestrutura do Ministério do Trabalho e Emprego (GMAI). Na tarde desta terça, o Tribunal encaminhou o comunicado de embargo à CAP S/A - sociedade de propósito específico que gerencia a reforma do estádio - e informou que uma audiência entre as partes está prevista para sexta-feira.

Conforme informou a assessoria de imprensa do TRT-PR, a partir do momento em que os gestores do projeto receberem o comunicado as obras deverão ser interrompidas por completo. Caso não sejam paralisadas, a CAP S/A será multada em R$ 500 mil por dia.

A interdição da obra já havia sido recomendada anteriormente pela Associação de Auditores Fiscais do Paraná, sem o pedido ter sido acatado pelo superintendente regional do Trabalho e Emprego no Paraná, Neivo Beraldin.

"Temos fotos que apontam questões básicas que não estão sendo respeitadas, como a falta de escoramento em escavações, andaimes sem piso completo. Isso ocorre por um somatório de fatores, como a ilusão de que sem essas medidas se acelera a obra ou se reduz custos. Também ocorre que é comum as empreiteiras terceirizarem o trabalho e se perde o controle de todo o trabalho, comprometendo o gerenciamento das medidas de segurança", diz o presidente da Associação, Fábio Ubirajara Lantmann.

Embora a decisão da juíza do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), Lorena Colnago, aponte que as obras na Arena têm "grave risco de dano irreparável à saúde dos trabalhadores", a medida foi considerada um exagero pelo superintendente do Trabalho Neivo Beraldin.

"A obra vem andando bem e o Paraná precisa que ela seja concluída. Não pode ser concluída colocando em risco a saúde dos trabalhadores, mas não houve nenhum acidente registrado na obra do Atlético", afirmou ontem, em entrevista à Rádio Banda B.

A assessoria de imprensa da CAP S/A informou que a entidade não vai se manifestar sobre o assunto.

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