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Lei é muleta de sites antifuncionais

Cada site segue regras próprias para a atualização e publicação de dados. Não há possibilidade de centralização do conteúdo

São de novembro do ano passado as informações mais recentes sobre as obras da Copa no principal portal da transparência na esfera federal, a página da Controladoria-Geral da União (CGU). A próxima atualização deve ser em fevereiro. O prazo de três meses não é apenas resultado da lentidão do poder público, mas segue o que está previsto em lei.

O site é regulamentado pela Portaria 571, de 2010. Nela fica clara a necessidade de envio dos dados trimestralmente por parte dos órgãos e entidades responsáveis: os ministérios das Cidades, do Esporte, da Justiça, dos Transportes e do Turismo; além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Infraero e Caixa Econômica Federal.

Os outros dois portais federais, o Copa Transparente e o Fiscaliza Copa 2014, obedecem à Instrução Normativa n.º 62, de 2010. A atualização é feita até cinco dias depois da efetivação das ações financeiras ou da aprovação dos relatórios de fiscalização. "Cada obra tem um respectivo gestor e ele próprio alimenta diretamente o sistema", explica o responsável pelo Copa Transparente e consultor de orçamento e fiscalização do Senado, Hipólito Remígio. Segundo ele, o TCU e o Senado estão para iniciar uma avaliação justamente com o objetivo de verificar o cumprimento de repasse das informações.

O quadro atual da transparência, com vários sites, prazos de atualização diferentes e informações de origens dispersas não deve mudar. O principal obstáculo é a própria lei. "É impossível juntar os dados em um lugar só. Eles são de órgãos diferentes", comenta o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. "A centralização de todas as informações em um mesmo portal seria difícil. Cada um vem de órgãos diferentes e segue legislações próprias", completa o presidente da Comissão de Gestão Pública da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), Rodrigo Pironti Aguirre de Castro. "O que dava para fazer é oferecer outros subsídios aos internautas, como colocar links entre essas páginas, por exemplo", sugeriu.

Obras particulares

No caso do estádio curitibano para o Mundial a transparência esbarra no fato de ser uma propriedade particular – mesmo que as obras na Arena sejam feitas em parceria com o poder público. "Os estádios privados, nas cidades de Curitiba, Porto Alegre e São Paulo, são justamente os mais complicados para se buscar informações", afirma o jornalista José Cruz, que há 20 anos cobre as áreas de política e legislação do esporte.

Uma das opções viáveis, prometida pelo Atlético – mas ainda em fase embrionária –, é a criação de um site específico para informar sobre os gastos com a obra (leia mais ao lado). "É uma iniciativa interessante para oferecer mais informações e uma contraposição aos outros portais", analisa Rodrigo Pironti.

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