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Pesquisa

Mundial gera medo e entusiasmo

Seis em cada 10 paranaenses são favoráveis à Copa e apostam num bom legado para Curitiba, mas existe o temor de corrupção por trás das obras

“Brasileiros e curitibanos precisam parar de ver o ramo de serviços como subemprego. Há um pensamento de que o garçom não precisa de curso de inglês, de informação e de treinamento.” Igor Bispo dos Santos (foto), gerente de bistrô | Walter Alves/ Gazeta do Povo
“Brasileiros e curitibanos precisam parar de ver o ramo de serviços como subemprego. Há um pensamento de que o garçom não precisa de curso de inglês, de informação e de treinamento.” Igor Bispo dos Santos (foto), gerente de bistrô (Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo)

Seis em cada dez paranaenses são favoráveis à Copa do Mundo do Brasil, de acordo com levantamento realizado pela Paraná Pesquisas. Mais da metade dos cidadãos aposta na geração de empregos como argumento principal para a realização do evento. Por outro lado, o temor de uso de recursos em obras desnecessárias e a corrupção são os maiores medos. A avaliação da população está dentro da realidade do país, especialmente na possibilidade de má aplicação de recursos. Contudo, a geração de postos de trabalho deve se concentrar na construção civil antes dos jogos e no turismo durante o evento.

Na avaliação do engenheiro Ramiro Gonçalez, professor da Fundação Instituto da Adminis­tração (FIA/USP) e do Centro de Extensão Pesquisa e Pós-Gra­­­duação em Administração (Cep­­pad), da UFPR, a análise popular reflete os riscos a que o país se expôs ao atrasar investimentos e a preparação para o evento. "Infe­­­lizmente, o sucesso está baseado em um tripé: planejamento público, investimento privado e apoio da comunidade. Não temos o primeiro e nem o terceiro", diz. A pes­­­quisa também indica que 49% dos paranaenses não acreditam na conclusão de todas as obras para a Copa.

O exemplo do Pan

Economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), José Augusto Soavinski considera inegável o fato de que haverá fortalecimento do mercado de trabalho com o evento. Porém, o pós-Copa preocupa. "Não sabemos se o legado será benéfico se levarmos em conta o gasto excessivo, bancado pela população", afirma. Para Soavinski, os setores hoteleiro, alimentício, comércio e turismo vão se beneficiar durante o evento, enquanto a construção civil será premiada na preparação. "Para onde vai essa mão de obra depois? Precisamos de empregos perenes", diz.

Diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo avalia o temor da corrupção como uma questão cultural. "As pessoas comentam que está sendo deixado para a última hora para as licitações serem emergenciais", analisa. A postura do brasileiro resulta das falhas de planejamento do Pan-Americano de 2007, realizado no Rio de Janeiro. "O Brasil já tem histórico de irregularidades, como o Pan", diz. Com 54%, o investimento em obras desnecessárias foi a citação mais frequente entre os principais prejuízos com a Copa, seguido pela corrupção, com 51% de votação.

O medo de repetir os resultados do Rio de Janeiro é reforçado pela falta de transparência nos investimentos, segundo o presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Jaime Sunye Neto. "Ninguém entendeu direito quais são os investimentos do governo municipal, estadual e da iniciativa privada na Arena da Baixada. Se a pesquisa fosse repetida com engenheiros, os resultados seriam semelhantes", diz. "Essa modelagem deveria ser discutida e pensada com a participação popular. Em alguns estádios, como os de Manaus e Cuiabá, não há perspectiva de retorno do investimento", diz Sunye.

Além disso, muitos investimentos serão feitos por meio do Regime Diferenciado de Con­­tra­tações Públicas (RDC). "Fica o paradoxo de tentar estabelecer controles melhores, enquanto o tempo para planejamento é cada vez mais limitado", diz o presidente do IEP. Metade dos paranaenses revela que gostaria de fazer sua parte na Copa "fiscalizando e cobrando o poder público", segundo a pesquisa. "Se a população chama para si essa responsabilidade, é por que entende que os órgãos que deveriam avaliar os gastos não vão cumprir o seu papel", analisa Sunye.

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