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Gula

Temerosa pelo futuro da seleção na Copa, a CBF demitiu Mano Menezes. Técnico estrangeiro? O presidente José Maria Marín não quis nem saber. A entidade foi buscar Luiz Felipe Scolari, treinador pentacampeão 12 anos atrás. Felipão já havia dito que não dirigiria mais o Brasil, pois só teria a perder. Não resistiu ao salário de R$ 8,8 milhões ao ano e à possibilidade de fartar-se no banquete do hexa. O mesmo impulso teve Carlos Alberto Parreira, que assumiu como coordenador técnico da equipe.

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Avareza

A Granja Comary recriou o cenário de Weggis, cidade suíça que ficou marcada pelo caos da preparação do Brasil para o Mundial de 2006, na Alemanha. Na região serrana do Rio de Janeiro, a concentração virou palco para promoções publicitárias da CBF e teve acesso liberado nos treinos para os convidados dos patrocinadores da entidade. Não faltou invasão de campo e gritaria sem fim nos alambrados. Mas era preciso justificar os R$ 15 milhões investidos pela CBF na reforma do local para a Copa.

Luxúria

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Desta vez, a discussão sobre a premiação em caso de título mundial não teve suspense. No início da preparação, ficou definido que o hexacampeonato representaria R$ 1 milhão para cada jogador, um rateio do dinheiro oferecido pela Fifa ao vencedor, cerca de R$ 77 milhões. Pouco para um grupo de jovens milionários, que faturou como nunca em acertos publicitários no período da Copa, especialmente o astro da equipe, Neymar. Riqueza que os jogadores adoram exibir pelas redes sociais.

Ira

Na véspera das quartas de final com a Colômbia, Luiz Felipe Scolari soltou: "Agora, se eu não puder fazer as coisas que gosto de fazer, se tenho que ser pautado pra fazer A ou B, não adianta, eu vou fazer. Gostou, gostou, não gostou, vai para o inferno". A declaração é apenas uma amostra do estilo de trabalho do treinador, que gosta de encontrar "inimigos imaginários" para "fechar o grupo". A estratégia baseada na motivação, desta vez, não foi o suficiente para vencer a Copa.

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Preguiça

Felipão garantiu que a seleção brasileira treinou o suficiente para a Copa do Mundo, a mesma rotina que culminou com a conquista da Copa das Confederações. O problema é que são duas competições completamente diferentes e o esquema que funcionou há um ano se mostrou logo superado. Contra o Chile e a Alemanha, a equipe fez apenas uma preparação tática. E, antes da semifinal, Scolari preferiu usar o tempo para tentar ludibriar o adversário, colocando em campo uma formação que não iria utilizar, com Willian ou Paulinho.

Orgulho

Coube ao técnico Carlos Alberto Parreira assumir o papel de Zagallo e disseminar o discurso otimista e ufanista do Velho Lobo. Algumas frases do coordenador técnico: "Estamos com a mão na taça", "a CBF é o Brasil que deu certo", "temos os melhores zagueiros do mundo", "há uma hierarquia no futebol que precisa ser respeitada". Ainda ontem, o tetracampeão justificou a estratégia: "A visão é a mesma, positiva, de quem tem a cultura do futebol pentacampeão do mundo. Nunca vi nenhum líder dizer que iria para a guerra para perder".

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Inveja

Diante disso tudo, resta invejar nossos algozes. A eliminação na primeira fase da Eurocopa em 2000 obrigou a Alemanha parar e repensar o futebol do país. A revolução foi amparada no aperfeiçoamento dos treinadores e na capacitação das categorias de base – com investimento de R$ 1,4 bilhão – e atingiu ainda a Liga local, atualmente com a melhor média de público da Europa: 43 mil. Desde então, os germânicos frequentam, pelo menos, as semifinais das disputas que participam. O tetracampeonato mundial ainda não veio. Mas está perto.