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Final

Aposta certeira

Com só cinco anos de profissão, técnico argentino revoluciona a seleção albiceleste. Para levar a equipe à final, Sabella consertou a defesa e fez Messi sentir-se em casa

Argentinos enfrentaram 46 horas de viagem num táxi até o Rio: tudo para ver o título mundial | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Argentinos enfrentaram 46 horas de viagem num táxi até o Rio: tudo para ver o título mundial (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

A volta da Argentina a uma final de Copa – o que não ocorria desde 1990 – está diretamente ligada ao técnico Alejandro Sabella. Desde 2009, quando ele iniciou no Estudiantes o primeiro trabalho como treinador, até o Mundial no Brasil, passaram-se apenas cinco anos. Uma ascensão meteórica que pode chegar ao ápice se os comandados dele vencerem a Alemanha, amanhã, às 16 horas, no Maracanã.

A Associação de Futebol Argentino (AFA) enxergou em Sabella um bombeiro e o convidou a assumir a seleção em julho de 2011, após o fracasso da equipe na Copa América. Os dirigentes sabiam que a carreira dele como treinador era curta, mas confiaram no homem que conduziu o Estudiantes a um título argentino e um da Libertadores.

O tempo provou que a aposta foi correta. Virou consenso na Argentina: o técnico de 59 anos transformou um amontoado de bons jogadores em um time que não necessariamente joga bonito, mas que é competitivo. "A camisa argentina que havia perdido prestígio, voltou a recuperá-lo graças ao time que Sabella conseguiu montar", elogiou Diego Maradona no programa para a tevê venezuelana que comanda no Rio durante o Mundial.

Sabella não gosta de chamar atenção pela personalidade. Ele não usa frases de impacto, não se envolve em bate-bocas públicos. Pelo contrário, a fala é tranquila. O tom de voz nunca mudou, mesmo nos tempos de fortes críticas pela não convocação de Carlitos Tévez para a seleção.

Com perfil agregador, o técnico conseguiu dois grandes méritos: melhorar o desempenho da defesa, usual ponto fraco do time. Nesta Copa, sofreu gols em apenas dois dos seis jogos disputados. O principal feito, no entanto, foi fazer Lionel Messi se sentir à vontade com a camisa albiceleste. Antes da chegada do treinador, Messi havia marcado 17 gols em 52 partidas pelo time nacional. Com Sabella, o camisa 10 virou o capitão do time e anotou 25 gols em 40 partidas.

O comandante é um admirador do futebol brasileiro. Rivellino é um de seus ídolos e Valdir Espinosa, com quem trabalhou no Grêmio em 1985, é considerado referência. Auxiliar de Daniel Passarella por 13 anos, ele esteve no Corinthians em 2005 e participou da derrota por 3 a 0 diante do Cianorte, na Copa do Brasil.

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