| Albari Rosa, enviado especial
| Foto: Albari Rosa, enviado especial

Jogo-treino

O Irã pôs fim à sequência de empates dos últimos amistosos ao bater Trinidad e Tobago por 2 a 0, no CT do Corinthians, em São Paulo. Os gols foram marcados por Hajsafi e Ghoochannejhad. A seleção islâmica vinha de três igualdades seguidas, respectivamente contra Bielorrússia, Montenegro e Angola. No dia 16, os iranianos estreiam contra a Nigéria na Arena da Baixada, em Curitiba. Depois encaram Argentina e Bósnia pelo Grupo F.

Quatrocentos quilos de carne sagrada vão alimentar semanalmente a seleção iraniana durante a estada no Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Um dos principais polos de preocupação para a segurança no Mundial, o time persa foi exigente ao extremo em apenas um ponto: a comida.

Do abate ao preparo, tudo que vai ser posto à mesa para os jogadores de Carlos Queiroz deve seguir o que determina a sharia, a lei muçulmana. Até um manual foi elaborado para que hotéis e centros de treinamento respeitem o que determina o costume religioso do país. O Irã estreia no torneio na próxima segunda-feira, contra a Nigéria, na Arena da Baixada.

A ponte entre a Federação Persa e as hospedagens brasileiras foi feita pelo empresário Nasser Khazraji. Iraniano morando no Brasil desde os 7 anos, ele é dono da Alimentos Halal, em São Paulo. Halal (lícito em persa) é a maneira como deve ser abatido o animal até o prepara da carne para um muçulmano. Carne de boi, frango ou peixe, frise-se. Nada de porco, animal considerado impuro no islamismo.

"O processo para a carne ser Halal começa no abate por meio de degola. O sangrador deve ser muçulmano e seguir todo um ritual. O animal deve estar virado para Meca [cidade sagrada do islamismo] e o sacrifício precisa ser feito em nome de Alá, com uma faca de aço que atinja as quatro principais veias. O sangue deve escorrer todo, para indicar que a carne foi purificada", descreve Khazraji, que envia um funcionário seu, muçulmano, para realizar o abate.

O rigoroso procedimento se estende ao manuseio da carne na cozinha. Segundo o empresário, 90% do manual trata do isolamento e higienização do alimento. "De nada adianta a carne ser Halal se no momento da fritura você usar a mesma gordura usada com carne de porco", exemplifica.

Para isso, cada local atendeu de uma maneira. O Hotel Pestana, que hospedará o Irã em Curitiba, terá uma cozinha específica para o chef trazido ao Brasil pela delegação. Em Guarulhos, onde o time está concentrado, não havia outra cozinha. A solução foi reservar um fogão para os visitantes e reforçar o cuidado no armazenamento da carne.

No CT do Corinthians, as adaptações extrapolaram a cozinha. Uma chopeira foi coberta e um freezer retirado da área de lazer. A sala de visitas, ao lado do campo, foi transformada em sala de orações, com dois exemplares do Corão, tapete persa, pedras de oração para apoiar a cabeça e uma bússola que mostre para que lado está Meca. Tudo indicado em persa. "A nutricionista do Corinthians retirou todos os alimentos deles do clube e os funcionários estão comendo o mesmo que os jogadores. Ela falou: ‘Pode ficar tranquilo que ninguém vai fazer feijoada enquanto vocês estiverem aqui’", disse Khazraji.

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