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Grupo D

Zebra espanta o fantasma

Costa Rica vira a grande surpresa do Mundial ao derrotar o Uruguai de virada por 3 a 1. Torcida da Celeste Olímpica, que chegou ao Brasil movida pelo sonho de um novo Maracanazzo, agora convive com o pesadelo de ir mais cedo para casa

O atacante Campbell, da Costa Rica, celebra o seu gol homenageando o filho que irá nascer no próximo ano | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
O atacante Campbell, da Costa Rica, celebra o seu gol homenageando o filho que irá nascer no próximo ano (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Dois torcedores da Costa Rica caminhavam pela Beira-Mar de Fortaleza, ontem pela manhã, com uma camiseta premonitória. Um Cristo Redentor branco sobre um fundo vermelho e a frase "Nós acreditamos" em inglês. Mais do que eles, a seleção costa-riquenha também acreditou. O mundo é que não acreditou no que viu no Castelão. Os Ticos, marcados para morrer no Grupo da Morte, derrotaram o bicampeão mundial Uruguai por 3 a 1, de virada.

Confira a nota dos jogadores e quem foi o craque da partida

Foi a primeira grande zebra da Copa-2014 e o maior feito no futebol do país centro-americano de 5 milhões de habitantes – metade da população do estado do Paraná. Em 1990, os costa-riquenhos passaram às oitavas no grupo do Brasil, com vitórias sobre Escócia e Suécia, mas nada se compara a bater um bicampeão.

Milhares de pessoas foram às ruas da capital San José após o jogo. Uma rádio chegou a agendar uma conversa ao vivo entre o atacante Joel Campbell e o presidente da República, Luís Guillermo Solís. Derrubou a ponte pela demora de 2h15min – e dois litros de água – para Campbell fazer o exame antidoping.

"Havia poucos torcedores no estádio, mas sabíamos que cinco milhões de ticos torciam por nós. Demos o coração. Nunca nos passou pela cabeça perder esse jogo", afirmou.

Campbell foi determinante para a vitória. O atacante de movimentação intensa e finalização poderosa (foram quatro arremates) marcou o gol de empate e deu o passe para Ureña anotar o terceiro. Cavani e Duarte fizeram os outros gols.

A exibição diante da Celeste mudou não só o status da Costa Rica, mas também o de Campbell no Mundial. Em abril, ele protagonizara um episódio inusitado ao publicar no Twitter que havia comprado cem pacotinhos de figurinhas sem encontrar a sua. A Panini prometeu enviar um cromo para ele. Nem precisou. "Me achei", escreveu dias depois.

Campbell ficou tímido ao ser perguntado sobre o episódio ontem. Também evitou falar de ser aproveitado pelo Arsenal, clube que o contratou em 2011, mas o emprestou para Lorient, Betis e, por último, Olympiacos. "A Copa é uma grande vitrine para que demonstre o que vale ao Arsenal", respondeu por ele o auxiliar Paulo César Wanchope, atacante da Costa Rica em 1990 e tutor do avante de 21 anos dentro da seleção.

Campbell só se solta mesmo quando o assunto é o seu primeiro filho, para quem dedicou o gol com o polegar esquerdo na boca e a bola sob a camisa. "Nasce ano que vem. Não sei se é menino ou menina. É uma alegria muito grande poder ser pai. A celebração foi para o bebê e toda minha família. Pai mãe e irmã que vieram ao Brasil, uma motivação extraordinária", disse ele, que havia feito gol nos Mundiais Sub-17 (2009) e Sub-20 (2011). Também se empolga, claro, sobre as possibilidades da Costa Rica de avançar ao mata-mata. "Estamos aqui para nos classificar", avisou. Agora, não são apenas os costa-riquenhos que acreditam.

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