A conclusão da Arena continua envolta em dúvidas. Ao contrário das promessas de transparência às vésperas da eleição do Atlético, em dezembro, a nova diretoria rubro-negra tomou o caminho inverso ao alardeado e mantém silêncio quase absoluto sobre o processo que envolve a obra. As poucas informações sobre a reforma, dadas antes do pleito, não se encaixam mais tão bem um mês depois.
Um exemplo é o valor total que o Atlético gastará para deixar o estádio pronto para a Copa de 2014. Nos números dados pelo novo presidente, Mario Celso Petraglia, o investimento não passaria de R$ 184 milhões. De acordo com matéria publicada na sexta-feira pela Gazeta do Povo, porém, um orçamento pedido pelo próprio clube aponta um custo maior.
O valor utilizado pelo cartola bate com o orçado por Flávio Vaz, então engenheiro do projeto, em setembro. Um mês depois, entretanto, preenchendo novas obrigações, Vaz teve de refazer o levantamento, que acabou ficando em R$ 232.476.141. Por exigência da Fifa, esse valor ainda teria de ser acrescido de 5% por uma nova certificação, o que elevaria o montante para R$ 244 milhões. A conta ainda sofreria um decréscimo de 10% a 15%, pela isenção de impostos, mas não ficaria abaixo dos R$ 207 milhões.
Petraglia, em entrevistas e para o conselho do clube, afirmou que se valerá de seu poder de negociação e da isenção de impostos para chegar ao valor menor.
"Não há nenhuma possibilidade de aumentar. Nós já encaminhamos para todos os envolvidos o orçamento. São R$ 184 milhões", garantiu em dezembro.
Outro item que apresenta duas versões é o valor real do potencial construtivo créditos imobiliários cedidos pelo município. Há diferença entre o que foi acordado entre prefeitura e Atlético e o mencionado pelo presidente do CAP. Estabelecido na Lei Ordinária n.º 13.620 (de 9/11/2010), o valor aprovado pela Câmera de Vereadores foi de, no máximo, R$ 90 milhões.
Petraglia, no entanto, sempre se refere aos títulos como se equivalessem a R$ 120 milhões uma readequação aos dois terços da avaliação do dirigente sobre o custo para a finalização da Arena. Mas, de acordo com a legislação criada, a única correção permitida ao potencial construtivo é baseada no CUB (custo unitário básico de construção).
A pedido da Gazeta do Povo, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR) aplicou a correção devida no período, de 8,82%, nos papéis. E o valor não ultrapassa os R$ 100 milhões permanecendo uma diferença de mais de R$ 20 milhões.
"A lei autorizou R$ 90 milhões. Como não foi alterada, são os R$ 90 milhões corrigidos pelo CUB", afirma Luiz de Carvalho, secretário municipal para Assuntos da Copa. Ele não demonstra preocupação com a divergência. "É exatamente o que prevê a lei. É a lei que vale. Ninguém irá contra isso."
O empréstimo no BNDES é outra questão com várias versões, sem que nenhuma até agora tenha sido confirmada oficialmente. O que se sabe é que o clube, via governo estadual, tenta obter R$ 123 milhões, mas a fase do processo e as garantias são apenas suposições.
Por fim, o portal de transparência prometido no discurso de posse foi lançado na quarta-feira (www.arenacap.com.br) por enquanto sem nenhuma informação relevante. No dia anterior, a reportagem tentou ouvir o clube, mas não obteve êxito. Desta forma, todos os questionamentos acima inclusive a falta do portal foram encaminhados diretamente ao e-mail de Mario Celso Petraglia, com cópia para a assessoria de imprensa. A resposta não veio, mas o portal "provisório", como o próprio se define, parecendo uma espécie de blog, enfim saiu do papel.
Antes disso, o site do clube, veículo oficial de comunicação utilizado pela diretoria, também não tratava com transparência o assunto Copa. Na semana passada, por exemplo, ocorreu a demissão do engenheiro responsável pelo projeto da Arena, Flávio Vaz. Até agora, nem a demissão e nem o nome do novo profissional que tocará a obra foram divulgados.



