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Contas públicas

Relatório da UFPR de 2012 indicava aumento no custo da Arena

Levantamento usado para convencer BNDES a liberar empréstimo ao Atlético apresentava ressalvas que apontavam aumento no valor

Fachada da Arena em reforma para a Copa do Mundo: obras passaram de R$ 184,5 milhões para R$ 265 milhões | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
Fachada da Arena em reforma para a Copa do Mundo: obras passaram de R$ 184,5 milhões para R$ 265 milhões (Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)

O acréscimo de R$ 80,5 milhões para a conclusão da reforma da Arena da Baixada entre a previsão inicial (R$ 184,5 mi) e a atual (R$ 265 mi) não surpreende o responsáve pela análise do orçamento da obra. O relatório assinado no ano passado pelo professor de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda Santos Filho, apresentava ressalvas que indicavam risco de aumento nos valores então estipulados para a reformulação do Joaquim Américo.

Requisitado pelo Minis­tério do Esporte, o parecer dis­­corrido em 48 páginas de análises e tabelas foi imprescindível para a liberação do empréstimo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mesmo com as observações, o primeiro orçamento apresentado pela CAP S/A atendeu às exigências de compatibilidade financeira do Tribunal de Contas da União (TCU).

Entre as advertências estavam questões relativas aos custos de etapas de infraestrutura e supraestrutura, gestão da obra, projetos de engenharia, verbas e assuntos diversos. Chamam a atenção, no entanto, pontos que encareceram a implantação do projeto.

A mão de obra, por exemplo, seria contratada sem levar em consideração o dissídio coletivo, fato que significaria um acréscimo nos custos logo de partida.

Houve divergências ainda sobre produtos e serviços contratados abaixo do preço de mercado. O clube normalmente explicava que tinha contrato com o fornecedor que garantia tal valor, mas, segundo Santos, nem todos os casos recebiam justificativa.

"Nosso trabalho não era fazer laudo. Era apontar o erro, verificar se havia consistência no projeto. Um aviso para as entidades responsáveis pela fiscalização e pelo empréstimo colocarem o trem nos trilhos", explica o professor. Há várias menções no documento sobre di­­ficuldade de fluxo de informações entre a UFPR e o Atlético e também da não entrega de documentos por parte do clube.

Em relação a atividades de supraestrutura, como a cobertura do estádio, as planilhas mostravam apenas estimativas de preços. Ou seja, não havia exatidão do quanto seria necessário para realizar a construção, causando, assim, impacto elevado em relação ao valor global do orçamento. "Com tendência de acréscimo e não decréscimo no custo", ressalta a análise. Na época, a cobertura retrátil não estava contemplada no orçamento.

De acordo com Santos, a elevação registrada no projeto da CAP S/A é algo surreal. "Se a obra fosse pública seria inaceitável. Faria exigências muito fortes ao projeto apresentado", diz o professor, que trata a reforma da Arena como privada.

Segundo contrato tripartite, dois terços serão pagos pelos governos municipal e estadual, enquanto um terço cabe ao Atlético. "Apontamos possível situação risco no empréstimo", reitera Santos. "E agora fica a discussão de quem vai arcar com isso. Se fosse público poderia me manifestar de forma mais aguda", acrescenta o Ph.D.

A reportagem tentou contato com o secretário municipal da Copa, Reginaldo Cor­­deiro, e com o secretário estadual do Mundial, Mario Celso Cunha. Ambos não atenderam as ligações para comentar o assunto.

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